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O Palácio Olímpio Campos está reformado e mostra-se bonito aos olhos de quem o visita. Desde que foi inaugurado no dia 23 de Maio de 2010 até a última semana de junho, foram registrados 6.277 visitantes. Ali, numa sala refrigerada se exibe ao público uma obra de arte: a Maquete de Aracaju. Na verdade é uma representação do que se denomina Centro Histórico de Aracaju, entre as décadas de vinte e quarenta do século vinte.
Quando constituía um dos Museus de Rua, coadjuvando com a Ponte do Imperador, ao ser decidido pelos técnicos da Prefeitura de Aracaju que deveria receber uma proteção, instalou-se uma celeuma se alegando que a Ponte do Imperador, mesmo há muito descaracterizada e sem tombamento, não deveria sofrer interferência de qualquer espécie.
Os opositores ganharam a parada. Desfez-se o Museu de Rua Ponte do Imperador e a maquete foi acantonada no saguão do Aeroporto, até que o antigo prédio da Alfândega, na Praça General Valadão, fosse entregue à Prefeitura e lá instalada. A burocracia, modorrenta e escamoteadora por natureza, têm dificultado a entrega do prédio da Alfândega. A Diretoria de Turismo da Funcaju fez gestão junto à Casa Civil do Estado, que acolheu a maquete no Museu Palácio Fausto Cardoso. E espera-se que brucutus não encrenquem com a “famigerada”, termo usado em conotação pejorativa por intelectuais ao se referirem à obra.
Antes de ser um simples dispositivo saudosista a maquete é, em termos práticos, uma obra de arte contemporânea construída numa junção de forças e ideias. Nela foram usados dos eficientes métodos de pesquisa histórica ao raio LASER, passando por recursos técnicos de mecanismo eletromecânico singelo. Tudo calcado no projeto urbanístico e arquitetônico da cidade com resultados plásticos. A obra é por si uma instalação.
A plasticidade na obra é mais do que evidente. Além do visual do já conhecido “Quadrado de Pirro”, que caracteriza o centro histórico de Aracaju pela simetria, há também o esmero na confecção das peças que a compõe. Proporciona emoção a surpresa histórica quando as pessoas identificam os lugares e sabem que nalguns existiam edifícios cujas características arquitetônicas eram marcantes e estão ali plasticamente representados.
Na constituição da maquete as três pranchas de madeira industrializada (aglomerado), que contêm as reproduções das edificações numa escala 1 por 200 (um metro corresponde a meio centímetro), repousam sobre nove pés de uma estrutura tubular e perfil em aço inoxidável. As edificações feitas de acrílico cromado têm suas coberturas em chapa de fibra de madeira; as calçadas de papel cartão. Cada um desses elementos com textura própria. As árvores são representadas por formas similares feitas em espuma de náilon com troncos em fios de cobre modelado.
As fachadas dos prédios, também em acrílico, foram cortadas a LASER (do inglês: light amplification by stimulated emission of radiation). Pode-se observar a delicadeza nas balaustradas do mercado Antônio Franco e do Quartel do 28o Batalhão dos Caçadores, este que ficava onde hoje existe o Hotel moribundo Palace.
Os aspectos construtivos do projeto foram motivo de preocupação. A pesquisa histórica demorou face à natureza do assunto. Para a equipe da arquiteta Ana Libório, não se tratava de colher informações verbais ou simples descrições dos edifícios. Precisava-se conhecer imageticamente como eram para plasticamente ser reproduzidos. Havia a pressão do prazo, o quê se agravou no momento da execução.
O maquetista contratado não só deu um bruto nó, como terminou numa infeliz e trágica coincidência falecendo e deixando o projeto parado. Pelo prazo mesmo aditivado, somente em Santa Catarina seria possível ser feita a maquete, graças aos recursos tecnológicos e a disposição da equipe afinada do arquiteto Marcos Bustamante, fatos associados ao menor preço.
Executada a parte principal em Santa Catarina havia coisas por fazer. Para contornar a falha provocada pela morte do maquetista e fazer a animação foi formada uma equipe em Aracaju. Tanto o circuito elétrico para visualização/identificação dos prédios quanto do mecanismo de animação do bondinho receberam orientação expressa da coordenação da Funcaju na concepção, na especificação dos materiais, na construção e na montagem.
Xodó da meninada é o bondinho. O mecanismo que o faz funcionar fica todo embaixo da estrutura da maquete. É um sistema de cordoalha e roldanas, apoiado num chassi de alumínio, tendo como força motriz um pequeno motor elétrico de com um redutor de velocidade. O conjunto é acionado por um botão no painel acessível ao publico. A velocidade permanente o leva a fazer o percurso de 4.10m, de ponta a ponta da maquete, em 3 minutos e 15 segundos. Vai da Praça Fausto Cardoso, de um lado, até as proximidades do mercado no outro lado. O próprio mecanismo tem reversão que o faz retornar repetindo o percurso enquanto estiver acionado.
Outra grata surpresa para o público é a interação que se dá na identificação dos prédios. Isto é feito também no painel horizontal que fica na frente da maquete. Ao acionar determinado botão se acendem microlâmpadas dentro do prédio correspondente. Junto ao botão pode-se ler nome e função históricos do prédio, assim como nome e função atuais. Todos os prédios com relevância histórica são assim identificados.
As miniaturas de automóveis, animais, charretes, caminhões, saveiros, aviões e bondinhos, assim como do trem, foram desenhados em computador, modelados em resina e reproduzidos em fôrma de borracha de silicone. Em muitos se utilizou PVC, resina, alumínio, bronze, tinta acrílica e tecido impregnado com verniz.
A grande ausência é a de figuras humanas, dada a dificuldade da escala de 1/200. Porém, a ausência deste elemento não torna a maquete um objeto frio e impessoal. O público visitante tem sabido, no contraponto, humanizar a sua relação com ela e a história. Para isto, os monitores desempenham o bom papel orientando os visitantes para que a apreciação da obra seja completa. Com os monitores é possível se conhecer o roteiro dos bondes e saber mais sobre todas as edificações, com suas funções e simbolização.
Cultivar o saudosismo não é o objetivo. Com o conhecimento histórico diminui-se a ignorância sobre o nosso próprio passado e sabemos hoje o quê e porque somos. A Maquete do Centro Histórico de Aracaju é um dispositivo artístico ativo para nos estimular a buscar lições de história e nos fazer querer bem a esta cidade que também almeja ter consciência, paz e felicidade.
FICHA TÉCNICA
Coordenação do Projeto:
Stella Maris Dornelas de Abreu Moreira
Antonio da Cruz
Tanit Alvares Bezerra
Patrícia Carneiro Cunha
Concepção/Pesquisa Histórica do Projeto: Arquitetos:
Ana Libório
Gandara Jr.
Colaboradores:
Benjaminvich Schuste
Murilo Mellins
Execução:
Arquiteto:
Marcos Bustamante
Artefatos e Animação:
Demóstenes Andrade de Menezes
Acervo Fotográfico:
Naide Barbosa
Benjaminvich Shuster
Luiz Antonio Barreto
Ana Maria F. Medina
Ideia Original:
Maria Lúcia de Carvalho Leite
Ana Maria F. Medina
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