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No jargão cinematográfico a expressão “Luz! Câmara! Ação!” que assinala o início da filmagem de uma seqüência, poderia ter o seu sentido invertido no ato de exibição do filme. Embora a projeção somente possa ser realizada com a luz vinda do projetor. É da antítese: ausência dela, que se dá a síntese mágica da formação da imagem na tela branca, a qual encanta o mundo desde 28 de dezembro de 1895, no Grand Café do Voulevard des Capucines, em Paris, até hoje, nas casas de exibição das metrópoles. Parecem palácios de consumo de imagens, pelo fato de estarem associadas ou dentro de centros de compras e com megainfraestrutura de conforto. É a reação para superar a crise prolongada, gerada pelo uso massificado da televisão, que no Brasil se iniciou na década de 70, vindo a aniquilar os cinemas de rua.
Do gesto mais primitivo ao mais evoluído, feito no sentido da comunicação envolveu o que se pode chamar a essência do fazer: a Arte. Assim dizem: a arte da diplomacia, a arte da guerra, a arte da medicina, a arte do cinema.... Pode ser um simples ofício, mas esta é a forma das pessoas se expressarem para deixar bem caracterizado o primor no ato de fazer qualquer coisa. Nisto, haverá sempre o deslumbramento do espectador provocado pela alma criadora do “artista”. No ato de fazer diversão, a alegria, a tristeza e principalmente o medo têm sido usados com bastante Arte.
Os filmes, em boa parte, fazem derramar lágrimas, seja numa cena antológica do beijo, após os protagonistas vencerem todas as desventuras; ou naquela pitoresca, onde o drama humano se faça exacerbado de tristeza. No entanto, sabe-se que, filmes cuja carga emocional é o medo, costumam encher cinemas. São os filmes de terror (ou horror). Ele, o medo, pode está presente na mais simples aventura à horripilante história, seja no perigo do mocinho cair no despenhadeiro; no suspense da porta abrindo e não se sabe qual ameaça está por trás dela; no gesto do assassino ao surpreender a vítima, ou ainda no pânico de multidões castigadas pelas catástrofes, entre tantas. As cenas consagradas, mesmo que tenham virado clichê, dada repetição, ainda provocam no espectador a sensação de que ele é o personagem sujeito ao perigo.
As sombras, o ângulo da luz de baixo para cima no rosto dos atores e suas expressões faciais sinistras, por si já são medonhos. Cenas grotescas de membros decepados andando autonomamente, cabeças falando fora do corpo, oferecem um visual nauseante, estranho e aterrorizante.
A escuridão da sala de projeção desafia o espectador, no ato de recepção da imagem, a por para fora reservados sentimentos. Lá, cada indivíduo está só. É isto que o escuro da sala sugere. O cinéfilo pode desviar-se do medo ao se entusiasmar em entender como o diretor programou e providenciou a execução de determinado efeito especial, como andou o desempenho dos atores, se houve inovação no processo de enquadramento... Isto o faz diferente do espectador mediano por não se deixar envolver a ponto de esquecer um pouco as sensações.
O espectador comum, no cinema, quer as emoções do enredo e principalmente aquelas oriundas dos efeitos sonoros incidentais sincronizados com imagens súbitas. Conhece-se bem o quanto é comum, pessoas se levantarem da cadeira diante de uma cena de impacto visual forte e repentino.
Comparando: o mesmo não acontece diante da telinha, principalmente se a sala estiver iluminada e o manipulador dos botões do receptor de TV tem o controle remoto à mão controlando o som, o brilho e o contraste da imagem, assim ele valoriza ou não, determinada cena segundo a sua opinião.
O objetivo, neste caso, pode ser também o de vencer o medo contido no seu âmago, que ele não conhece a origem, senão, talvez, a etimológica: mètus, do latim, mas aprendeu a trabalhá-lo alimentando a curiosidade como num ciclo que se fecha nos extremos da vida e da morte. Assim vê-se a uma história com figuras animadas. Se abaixado o volume do som para não incomodar o parente que está dormindo no quarto ao lado, poderão se perder muitas falas importantes dos personagens, salvo quando for uma fita de vídeo, por ser possível rever o diálogo. Atualmente este controle da telinha é bem aceito. A questão é comodidade, avanço. Mas, este recurso provoca certa descaracterização à fita. Retira possivelmente oitenta por cento da emoção. É muito diferente de estar diante da gigantesca tela que envolve de tal forma o espectador que lhe oferece poucas chances de se distrair olhando para o lado, com o som crocrante da pipoca amassada pelos maxilares e principalmente de perder o fio da meada, pois, não há a interrupção do chato comercial.
O cinema poderá vir a ser bem mais interativo do que a TV. O raio laser, a halografia a fibra ótica, mais os recursos da informática, devem se somar aos clássicos conhecimentos da ótica para fazer o cinema do primeiro século dos anos dois mil. Mas, a proposta do cinema contemporâneo neste início de milênio ainda é ser basicamente uma arte do diretor para o público, apresentando uma proposta de trabalho com suas peculiaridades e recursos básicos do cinema tradicional tendo a película de acetato como suporte. Agora avançando para meios magnéticos.
Os fenômenos catastróficos e os acidentes provocados por atividades de mal feitores, ou falhas humanas; as figuras bizarras, monstros diabólicos, assassinatos em série, tudo perturba o telespectador, num crescendo. Tanto esses personagens, como o elemento da platéia, estão sob o controle do artista-diretor do filme. Os vilões e mocinhos, simples fruto da sua criação, terão vida enquanto perdurar o filme. O espectador, por colaborar com o efeito hipnótico das imagens e mergulhar naquele universo de fantasia, permanecerá com as imagens gravadas no seu cérebro por um bom tempo como algo fantástico. Mesmo sabendo da idade do cinema e das inúmeras vezes que foi a ele.
Submeter-se a este medo de cinema é excitar a imaginação de forma mais fácil do que na literatura ou diante de um quadro pintado, pois no cinema a imagem está completa. As formas têm volume, brilho, cor e mobilidade, o que possibilita variação de ângulos e perspectivas incríveis, com qualidade da imagem impecável. O tamanho da tela torna-o um instrumento poderoso. Esta dimensão e o poder de convencimento da história substituem as dificuldades reais de se ir a locais inacessíveis e de jornadas exaustivas aventureiras no campo; faz a mente indagar da possibilidade de existirem seres extraordinários dotados de poderes maléficos com os quais a superstição inunda o subconsciente e o inconsciente humanos, desde a infância de cada indivíduo e da origem da humanidade.
Nunca se soube de casos de enfarto no cinema ou se existem são tão poucos que nunca chegam a provocar escândalo. Segundo os especialistas, as palpitações provocadas pelo medo nada têm em comum com o enfarto do coração. Uma coisa é certa: o coração de muita gente dispara com bastante freqüência e intensidade. Também não há casos de histeria registrados, decorrente precisamente do filme, salvo quando expressadas indignações de ordem moral, política ou social sobre filmes polêmicos. Os casos isolados, hoje raros, acontecem com aqueles que nunca ouviram falar em cinema.
O espetáculo do medo não tem poupado recursos, principalmente nos filmes de ficção científica nos quais as diabruras da imaginação voam. A possibilidade de existirem seres extraterrestres mutantes com ciclo de reprodução complexo e onde dentre as etapas desse ciclo esteja incluso um ser vivo como hospedeiro; outros que roubem a alma das suas vítimas e assumam sua personalidade; vírus gigantes com comportamento humano, são hipóteses alimentadas pelo crescimento real da ciência e da tecnologia, o que produz verossimilhança, induzindo os terráqueos a aumentarem sua crença na existência de vida em outros planetas, mas, com a agravante de tais criaturas possuírem características aterradoras.
Neste pondo, a ficção científica afasta-se da ciência equilibrada entre o empirismo e o racionalismo, para ser mais especulativa possível com adição da fantasia do medo, explorando ao máximo a capacidade de aceitação, pelas pessoas comuns, do desvio dos parâmetros da realidade. Mas continua essa mesma realidade inspirando autores e diretores a “viajarem” neste mesmo rumo quando se baseiam em pesquisas reais dos laboratórios de informáticas (laboratórios de eletrônica digital) e nas reações químicas de elementos radioativos, por exemplo, para criarem seus monstros horripilantes e em situações igualmente incongruentes.
Autores cujos livros viraram roteiros cinematográficos tornaram-se milionários, tamanho o sucesso desses livros, e principalmente depois de bem adaptados para roteiros cinematográficos. É no cinema onde o conteúdo do livro pode assumir a sua feição mais palpável. Exibindo o lado sinistro em cores e sugerindo até movimentos que os olhos não podem alcançar e a mente reluta em aceitar.
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