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Lição das ruas, certificação da pesquisa
Postado em 10/03/2010 15:11
Das infinitas leituras que a pesquisa Dataform publicada hoje permite e propõe, três pedem para serem analisadas com especial atenção. 1 - O peso de Déda e seu projeto de ficar encastelado no poder por mais quatro anos; 2 - A densidade de João Alves na caminhada para 'voltar à casa' do poder e 3 - As profundas raízes políticas de Antônio Carlos Valadares. ImprimirEmailDeliciousBookmarksDiggSpaceReddit Edvaldo e a ponte pra Albano ao Senado
Postado em 03/03/2010 09:39
O caldo pro lado de Marcelo Déda e suas arrumações eleitorais visando a reeleição dá sinais de azedume. Não seria mesmo fácil acomodar a todos, com leveza, sob um mesmo teto. E é algo lógico: se ele tem quatro vagas majoritárias a trabalhar - a dele, que é inegociável, a do vice e a de dois senadores -, como é que vai acomodar seis aspirantes? 1 - O de que atuar para agregar é parte do seu DNA político desde 81. "Não podemos perder o norte neste momento. Quanto mais forças ao nosso lado, melhor. Os votos de Albano fortalecem Déda. E Déda necessita disto não apenas para ganhar eleição, mas pra administrar". 2 - O que tem de ser facilitado agora é o projeto de reeleição Déda, que estaria acima da eleição ou reeleição de qualquer outro do bloco. "Para mim, a reeleição de Déda é até mais importante do que o meu mandato, porque com ele reeleito teremos garantias de sossego e avanço. Imagine um Governo que venha pra cima de mim, perseguindo a Prefeitura e os interesses dos aracajuanos! João fez isto, negando sete metros de terra da Codise e três do estacionamento do TTB para que construíssemos o viaduto do DIA. O que ele negou por quase um ano, Déda concedeu em um dia", diz Edvaldo. 3 - Ao acenar para Albano pro Senado, estaria acessando alguém que nas últimas quatro eleições só não esteve neste bloco em 2006, porque votou com João, mas em 2002 apoiou Dutra no segundo turno ao Governo, em 2004 apoiou a reeleição de Déda a prefeito e em 2008 esteve com ele para prefeito. "Não estou indo em busca de um adversário renitente. É um político que participa do meu Governo, com a Funcaju. Qual é a incoerência? Qual o mistério disso? Nenhum", diz. 4 - "Nada disso significa o enfraquecimento de Valadares, e nem ingratidão. A prova de que não, é que de 86 até hoje o PC do B só não votou com ele em 2000, porque era candidato a prefeito de Aracaju contra nós. Hoje, o PSB faz parte do meu Governo, comandando a Fundat, e o meu líder na Câmara é um vereador deste partido, o Elber Batalha Filho". ImprimirEmailDeliciousBookmarksDiggSpaceReddit Obstinação zen de Amorim pelo Senado
Postado em 18/02/2010 14:36
Apesar do acachapante desempenho em 2006 – 115 mil votos, maior votação nominal do Estado nos 120 anos de República –, Eduardo Amorim, PSC, é um político relativamente desconhecido. Diante desta montanha de votos, pode parecer contraditório vê-lo assim. Mas o é. Ele nunca havia sido antes vereador, deputado estadual, nem prefeito ou vice. Foi catapultado de médico a secretário da Saúde, e daí à Câmara. Aos dois anos de mandato, já havia tomado a decisão de pular dali pro Senado, e é o que vai tentar este ano. Médico algologista – especialista em dor -, gostou da política. Acha que é território fértil para se fazer o bem e curar outras dores - as do campo social, como da falta de segurança, de emprego, de educação e mesmo de saúde. A história pessoal de Eduardo é tão interessante quanto a sua impactante votação e o modo como constrói, escorado no irmão Edivan Amorim, a possibilidade de disputar o Senado. Ele pode ser classificado, paradoxalmente, de um obstinado zen. Filho de um pai pobre – Eliezer Antônio da Cunha, o Eliezer Quinze Contos -, mas com aquele típico DNA itabaianense – que move céus e terras pela existência dos seus -, Eduardo não fatura, mas tem passado de chão batido, de teto furado: foi engraxate, se viu escorraçado nas ruas de Itabaiana por melar calçadas com aquele líquido que engraxates usam antes de aplicar pasta nos sapatos e ‘pegou carrego em feiras’ – foi um daqueles meninos que conduzem compras em carrinhos de mão. Estudou em escola pública, morou de favores em casa de pessoas em Aracaju, passou direto no vestibular de Medicina da UFS, comeu por necessidade da comida incomível do Restaurante da UFS, fez-se especialista no tratamento da dor na Espanha, presidiu entidades de classe e chegou aonde está. “O Senado tem uma abrangência infinitamente maior do que a Câmara. Ali Sergipe tem o mesmo peso que São Paulo e lá posso fazer muito mais. Este mês já andei nove mil quilômetros por Sergipe em contatos políticos e as pessoas têm uma excelente receptividade ao nosso projeto. Elas nos vêem como a esperança do novo”, diz. Apesar dos 115 mil votos e de um mandato, de fato ele é novo. Sobretudo para o Senado, pra onde são mandados sempre senhores entrados nos 60 anos. Este Amorim tem 46.
ImprimirEmailDeliciousBookmarksDiggSpaceReddit Déda ajuda a reabilitar João Alves
Postado em 09/02/2010 16:01
É balela a ladainha de João de que esteve fora de Sergipe por dois anos, ocupado com a saúde de Maria. Também é inverdade que esteja liderando pesquisas - na última feita pelo Dataform em agosto e publicada pelo Cinform estava 'atrás' nos dois cenários: 25,7% e Déda 31,3%, na espontânea; e 37% contra 38,1%, na induzida. Embora não lidere, não são índices desprezíveis. São diferenças em favor de um sujeito que está no Governo e que chegou prometendo revirar tudo, sobre outro da oposição, com histórico que todos conhecem. E é isto que os demistas superlativam e faturam alto, como se estivessem com a boca no Governo de novo. Pode até vir a ser, embora as convergências de a nove meses da eleição apontem chances pra Déda - a começar por estas pesquisas: é Governo do Estado e da União; tem mando da PMA e assiste ao crescimento contínuo de Dilma Rousseff, que pode inviabilizar Zé Serra-PSDB, em cuja cauda João-DEM esperam pegar carona. Mas, paradoxalmente, só há um político que pode derrotar Déda: é o próprio Déda. Por quê? 1 - Não foi o mudancista que prometeu; 2 - Não tem um Governo que arregaçou Sergipe (esqueçam a expectativa meramente obreira!) e que se revelasse transformador à altura do que os 44 anos de atraso esperavam; 3 - Faz uma gestão lenta, pesada, burocrática e desconfiada - embora ética; 4 - E menospreza parceiros importantes, como prefeitos. Será que uma leva enorme de lideranças que votou em Déda em 2006 graciosamente como oponente, o fará hoje, também graciosamente, com ele Governo? Será que a conta da segregação aos prefeitos não será cobrada em outubro? A assepsia 'desconfiadeira' de Déda botou os prefeitos na geladeira: nenhum deles é gestor de obras. O Estado não pactua nada com eles. Faz só - e isto fere fundo os interesses destes homens. Eles não contratam empreiteiras, não alimentam relacionamentos nem importâncias. São eunucos. A fatura pode sair cara pra Déda. E, depois, como arrumará a imensa nau de aderidos ao seu projeto? Mas esta coluna reafirma: as maiores chances ainda estão com ele. E a reeleição de Albano em 98 à bordo de um governo infinitamente pior do que este é um indicador indezprezível. ImprimirEmailDeliciousBookmarksDiggSpaceReddit “De Almeida espero gestos e atitudes”
Postado em 30/12/2009 16:49
A frase é do deputado Jackson Barreto, até recentemente o mais encardido inimigo íntimo do primo senador Almeida, ambos PMDB. Durante os últimos 15 anos eles romperam a ferro e fogo desde que JB duvidou da eficácia do apoio do Almeida prefeito à sua candidatura ao Governo em 1994 e isto definitivamente se quebrou em 96 – com Almeida lançando Garibalde Mendonça à sua sucessão e JB apresentando Gama, com quem venceu. Sergipe inteiro conhece o espetáculo de desavenças protagonizado pelos dois nesta década e meia. Agora JB e Almeida estão sob único teto governamental, selados pelos carinhos do Governo de Lula, que protege a ambos e a quem eles devolvem devoção. Como presidente do Orçamento, Almeida obteve uma inserção enorme e hoje parece, ainda que tímido, também sob o mesmo teto da grande Arca de Noé que é o Governo Déda, na qual JB é esteio forte. Neste cenário, uma ação política e eleitoral de Almeida em 2012 por este bloco parece passar diretamente pelo crivo do primo. Será que seria possível? Focado, pré-candidato ao Senado e defensor árduo da reeleição de Déda, JB faz discurso misto de tolerância e precaução. “Da minha parte é zero de veto”, diz. “Não tenho mais aquele ódio como já tive a Almeida Lima. Aquele de não poder olhar na cara dele. O tempo gastou aquele sentimento de ódio”, completa. As precauções: “Mas também não tenho motivos pra sentar frente a frente e olhar-lhe nos olhos como se nada tivesse acontecido. As feridas não estão de tudo cicatrizadas. Pazes? Isto é de um oportunismo que não tem explicação e não será entendido pela sociedade”, completa. Mas não há segredos. Almeida tem como principal projeto de vida voltar a ser prefeito de Aracaju. Todo analista de bom senso sabe que o velho JB ainda detém parte do controle sobre isso, e pelo menos por duas ou três sucessões ninguém se elege para comandar a capital sem a chancela dele. O projeto de Almeida passaria até por não disputar nada em 2010, por emprestar ‘perna e fôlego’ para fazer JB chegar ao Senado e ter dele garantias pra 12. “Não faço acordo nenhum prevendo 2012. Ainda mais com alguém que está desgarrado do nosso grupo há 15 anos. Aliás, de Almeida não quero apenas palavras. Eu espero gestos, ações e atitudes. O que está por trás das palavras dele? Acho que na política a relação de sentimento é muito grande. Além das ideias que unem grupos, tem de haver sentimento. Sem isto, como pode haver acordo? Baseado em quê? Almeida já agiu como Pedro negando Cristo três vezes: negou a mim, negou a Albano que lhe ajudou na disputa de prefeito de Aracaju em 2000, e negou a João Alves, que lhe elegeu senador em 2002”, diz JB, cismado. Mas que tem algo se dissipando e se distendendo entre os dois, ninguém pode negar. E é por demais significativo que este algo seja o sentimento de ódio que babava do canto esquerdo do peito de cada um. Natural: onde há política há humanidade. Ou não? ImprimirEmailDeliciousBookmarksDiggSpaceReddit
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