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A publicação dos resultados do Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica -, que mede a qualidade da educação no Brasil, mostrou o Estado de Sergipe numa das piores colocações no ranking educacional brasileiro. (Leia matéria e editorial neste caderno 1). O rendimento sergipano é vergonhoso.
Nas séries iniciais, a nota é 3,8, igual à média do Nordeste, mas bem abaixo da média brasileira, que foi 4,6. Nas séries finais, as nossas escolas tiraram nota 3,2, abaixo da média nordestina (3,4) e mais abaixo ainda da média nacional (4,0). A pior situação, entretanto, encontra-se no ensino médio, onde o Estado só atingiu 3,2 - abaixo do Nordeste (3,3) e do Brasil (3,6) - e, pasmem, ficou com nota menor do que tinha em 2005. Em outras palavras, no ensino médio, Sergipe andou para trás. Além de tudo, o sistema educacional sergipano sequer conseguiu cumprir as modestíssimas metas estabelecidas pelo Ministério da Educação que, nas séries iniciais, era chegar à nota 4,2; nas séries finais, 3,4 e no ensino médio, 3,5.
Embora esses números expressem médias, a conclusão a que chegamos é que Sergipe está andando muito devagar nas séries fundamentais e retrocedendo no ensino médio. Para alcançar as atuais médias brasileiras nas séries iniciais, levaremos mais quatro anos; nas séries finais, precisaremos de oito anos; e no ensino médio, será necessário reverter o retrocesso.
As explicações para rendimento tão tímido não podem envolver a falta de investimentos financeiros, pois o orçamento da educação vem crescendo ano a ano no Estado. Então, o que poderia estar acontecendo? De certa forma, a resposta é simples. As políticas públicas estão sendo aplicadas de forma equivocada. Os gestores, em âmbito municipal e estadual, não estão sabendo como aplicar os "rios de dinheiro" que são destinados à área educacional.
Dias atrás, neste mesmo Cinform foi publicada uma matéria sobre uma profunda transformação na educação básica no município de Sobral, no Ceará. E em que consiste essa boa nova vinda das terras cearenses? Ora, crianças plenamente alfabetizadas aos oito anos de idade, lendo 60 palavras por minuto e taxa de evasão perto de zero.
Os cearenses inventaram alguma coisa? Não! Apenas seguiram alguns procedimentos que, segundo pesquisas nacionais e internacionais, são apontados como variáveis de alta eficácia, entre eles: alfabetização fônica; métodos meritocráticos na seleção de diretores; autonomia (financeira, pedagógica e administrativa) para as escolas; prêmios financeiros por desempenho para professores (medido por avaliações externas, número de faltas e abandono); ampliação do tempo pedagógico (fim da embromação na sala de aula); sensibilização das famílias através do envolvimento direto dos gestores, inclusive do próprio secretário da educação; unificação dos conteúdos, métodos, planos de aula e material didático.
As ações descritas acima não foram implementadas sem a contrariedade do sindicato e de certos setores docentes. Mas, havia, por parte dos dirigentes, convicções, conhecimentos, planos, assessoria, coragem e recursos para o enfrentamento dos desafios que estavam à sua frente.
O que vemos em Sergipe, no caso do governo estadual, principal responsável pelo ensino médio, o de pior rendimento, é o contrário do que vimos em Sobral: politicagem, improviso, desorientação, esqualidez de gestores (a começar pelos secretários), e medo de enfrentar o corporativismo sindical e os interesses fisiológicos de figuras que se beneficiam dos "rios de dinheiro" que correm pela educação.
Quando o atual governador saiu da prefeitura de Aracaju, deixou a capital dos sergipanos na pior colocação no ranking educacional entre as capitais. Com a divulgação dos resultados do Ideb e observando que o ensino médio, aquele pelo qual ele é responsável direto, retrocedeu a níveis de 2005, nenhum prêmio coroaria melhor seu desempenho na educação quanto o de Exterminador do Futuro.
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