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Aracaju,SE
Setembro/2010

Rodorval Ramalho
Sociólogo e professor universitário.
Contatos através do email: jrodorval@uol.com.br

Blog - Rodorval Ramalho - 08/06/2010 09:48
Educação como moeda de troca 

Quando o atual governador de Sergipe saiu da prefeitura de Aracaju, na metade do segundo mandato, para se candidatar ao Governo do Estado, deixou a capital sergipana na pior colocação no ranking nacional da educação fundamental. Como prêmio, foi eleito governador e, ao que parece, está fazendo um esforço descomunal para repetir seu triste e perverso desempenho na área educacional, agora no Estado todo.

A escolha inicial de um secretário que não tinha a menor noção do que significava a educação básica já foi um primeiro movimento rumo ao brejo; a ausência de objetivos claros e específicos na área pedagógica, salarial, administrativa e outras revelavam a distância entre a fácil demagogia eleitoral e a difícil tarefa de governar; a manutenção do mesmo secretário, mesmo com todas as trapalhadas e patetices, durante longos três anos, mostrava que o dirigente máximo dos sergipanos não estava brincando em serviço.

Dias atrás, o que seria um alívio e uma esperança, a dispensa do dito secretário, apenas reforçou a minha descrença no futuro da educação neste pedaço da Federação, pois o Estado de Sergipe terá que conviver com mais um 'estranho no ninho' nessa área estratégica para todo e qualquer projeto republicano.

A ocupação da área educacional pelo vice-governador reforça a ideia de que esse âmbito do governo é mera moeda de troca para o atual dirigente petista que, por sinal, tem encontrado muitas dificuldades para conseguir assentos suficientes no seu bonde eleitoral. Entregar uma Secretaria como essa a um político absolutamente alheio à questão e ainda mais em véspera de eleição, apenas para mantê-lo na coligação, é declarar em alto e bom som que na educação o norte do atual governo é a fisiologia, o improviso, a politização, mesmo que tudo seja regado a generosos aumentos nos recursos orçamentários para a área.

Não nos enganemos, se não há projeto, despejar 'rios de dinheiro' jamais resolverá o problema. Já ouvi de mais de um militante político local que o governador nunca conseguiu convencer a deputada Ana Lúcia a assumir a Secretaria de Educação porque o que ela exigia estava acima do que ele podia atender. Mas, há também quem diga que a tal deputada jamais assumiria porque as demandas as quais representa são inexequíveis em qualquer governo e que nem ela mesma seria capaz de entregar o que anda a reivindicar.

Nesse caso, em pouco tempo se desmoralizaria e perderia espaço eleitoral. Não posso deixar de registrar que há também quem afirme que o ex-secretário, além de não ter nenhuma noção do que fazia, ainda não teria nenhuma condição política de enfrentar o sindicato, caso quisesse, pois aquela corporação está entranhada nos espaços de poder na educação do Estado e, na prática, controla parte significativa do que acontece por ali. O fato é que, em qualquer versão, o petismo, engomadinho ou descabelado, se mostra incapaz de enfrentar um dos principais desafios governamentais, uma política pública que torne o nosso ambiente educacional mais eficaz.

É verdade que os sistemas educacionais do mundo desenvolvido também estão passando por profundas mudanças, justamente porque a escola não está mais cumprindo os seus objetivos adequadamente. Entretanto, a grande diferença entre nós e eles é que pelas bandas da civilização, existe um esforço contínuo para valorizar o professor e também para cobrá-lo pelo que faz na sala de aula.

Os processos de recrutamento docente começam ainda na universidade, com estratégias variadas de aprimoramento das licenciaturas. Os diretores têm autonomia e passam por inúmeros processos de qualificação, buscando uma melhor performance administrativa. Nas escolas desses países, os conteúdos não são esse caos que nós temos por aqui, com cada professor ensinando o que lhe dá na telha.

Os pais de alunos se envolvem muito mais do que por aqui. Essas e muitas outras iniciativas têm apresentado bons resultados. Mais do que isso, entretanto, demonstram que com educação não se brinca e que educação não é moeda de troca fisiológica, a não ser que isto seja o máximo que o governante alcance. Todavia, nesse caso, seria o caso de mandá-lo brincar noutro terreiro.


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