Iniciando o ano falando de arte, segue a sugestão para se visitar o sitio http://br.olhares.com/maurofotografia para conhecer a fotografia de Mauro Borges, paulista que morou em Aracaju, Sergipe, aproximadamente um ano, entre 2006 e 2007, e hoje reside em Santos.
Indiscutivelmente na brevidade de um instante se identificam e eternizam as formas, porém, a poesia nelas contida carece mais do que identificação. O poeta constrói a metáfora; o fotógrafo a encontra a sua frente mesmo que, aos olhos de qualquer outro ser, pareça-lhe apenas o mundo real. Mauro Borges é o típico fotógrafo-poeta, pois num lance fugaz capta e apreende o espírito das formas através das suas imagens.
Que condição mágica é esta em que o olhar preciso e lírico se faz diferente do olhar comum? Este olhar que capta a temporalidade em si, e não simplesmente o fato que ocorre no tempo subjuga tempestades, furacões e doma vulcões. Sim, é muito poder prender tanto encantamento bravio - porção física e temporal da existência - num retângulo imagético para servir a olhos contempladores, e em situação oposta à danação, poder se deitar em meio a uma brisa, com toda a serenidade possível que a existência conceda, para admirar toda a beleza contida num plano.
Muito mais se pode dizer do ato de fotografar. Mauro conhece-o muito bem. Ele sabe que o ângulo, a luz, o cenário, o equipamento são os aspectos físicos. As condições emocionais, no entanto – o seu estado de espírito - a capacidade de enxergar o indescritível e o inusitado são transcendências cuja grande origem é a sensibilidade. Ele sabe também que para isto é preciso envolvimento, comprometimento, entrega: paixão. Parece uma fórmula antiga e surrada. Sim, o é. Afinal, a arte é mais antiga do que a comunicação escrita. É antiga também a conclusão que sem paixão não existe arte, mas apenas a fria e impessoal técnica.
Nada é mais humano do que a arte, que é a essência do ato de fazer as coisas. Fotografar é - em um universo próprio e de sensibilidade única - recorrer a uma fórmula instantânea que funciona interativamente entre o captador de imagem e tudo o que possa existir de subjetivo em torno do objeto colhido pela íris. Algo que se possa chamar de atmosfera psíquica desarmada com espírito pueril e lúdico.
Vendo-se as fotografias de Mauro mergulha-se em indagações: como ele consegue captar e transmitir com tanta propriedade estas imagens? Nelas, enquadramento, foco, luz, brilho e contraste nos dão composições magistrais. Como consegue? Para entendê-lo cabe se perceber alguns aspectos. Motivos que, em princípio o olhar experiente não conferiria importância. Eis que ele, Mário, os eleva à merecida significação; quando feito prende o olhar do espectador.
Mirando estruturas, Mauro dispara sua objetiva nos elementos alinhados em seqüenciais, repetidas sugerindo movimentos infinitos; observa jogos de formas combinadas, interpostas e imbricadas; enxerga “colagens arquitetônicas” em ângulos retos e oblíquos. Ele obtém abstrações geométricas com ajuda da luz e da sombra, das cores em nuanças, das linhas ascendentes, diagonais e horizontais. Volume, formas e linhas são assim submetidos aos caprichos do artista, em nome do prazer visual. Quando fotografando a natureza Mauro nos oferece a beleza com profundeza metafísica. Estética com um compromisso a mais: o de nos prender e comprometer a olhar mais de uma vez, outra e outra..... Animais, plantas, gente são submetidas aos seus experimentos imagéticos magistralmente.
Da exibição exuberante da natureza Mauro Borges saca delícias visuais e as oferece como espetáculos apaixonantes. Suas viagens e experiências de vida o tornam um ser especialmente capaz de compreender profundamente o que faz e o que tem como objetivo. Da maturidade no relacionamento com as pessoas fica evidente a sua amabilidade. Com a mãe natureza não poderia ser de outra maneira. Paulistano com vivências nos mais exóticos lugares, desde os pampas gaúchos, passando pelos rincões no pantanal mato-grossense até os confins da China, o olhar de Mauro Borges se faz senhor. Mauro tornou-se um garimpeiro e propagador das boas imagens.
Feliz, pois, é o homem que pode se alimentar de encantos da vida. As imagens artísticas são desses alimentos do espírito e que ele aprendeu a dividir com seus semelhantes. Mas, poucos o fazem como ele. Achar muitas imagens é fácil; difícil é extrair e traduzir de cada uma a indelével essencialidade.
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