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Aracaju,SE
Julho/2010

Notícias - Sociedade - 12/03/2010 11:08
Alunos de Medicina doam sangue em trote solidário 

Em 23 de fevereiro de 1999, o país acordava alarmado com uma tragédia. Um calouro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP – é encontrado morto na piscina do clube onde havia acontecido o trote para os estudantes aprovados no vestibular.

Hoje, em Aracaju, alunos do curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe – UFS – mostram como é possível fazer o tradicional trote aos calouros sem pôr vidas em risco. Na manhã desta sexta-feira, 12, um grupo de veteranos acompanhou os novos universitários para um trote solidário.

Cerca de 30 alunos estiveram no Hemocentro de Sergipe – Hemose - para fazer doação de sangue. A ideia partiu do Centro Acadêmico de Medicina – Camed –, que organizou a programação contando com o apoio da coordenação do curso.

“Quando assumimos o Camed encontramos vários panfletos da campanha Doe Sangue Doe Vida então resolvemos fazer disso o tema da calourada, e um dos eventos seria a doação no Hemose. Ampliamos o tema para abordar não somente a prática de doação de órgãos e tecidos, mas também para falar da doação do médico ao seu paciente” explica Bruno Garcia, um dos coordenadores gerais do Camed.

SEMANA DO CALOURO

Com o tema Medicina: Uma Vida em Doação, a Semana de Recepção do Calouro dos alunos de Medicina teve como principal objetivo integrar os novos universitários, mostrando o cotidiano da profissão e os deveres do médico na sociedade. Durante toda a semana os alunos participaram de encontros e palestras, onde puderam conhecer mais sobre os órgãos envolvidos com a categoria.

O grupo visitou o Conselho Regional de Medicina – CRM – e participou de almoço na Sociedade Médica de Sergipe – Somese. Além disso, eles também visitaram Unidades de Saúde da Família para conhecer de perto a realidade dos pacientes da rede pública.

BOM EXEMPLO

Para Bruno Moura, que também faz parte da coordenação do Camed, o trote solidário serve para rebater a imagem violenta que se tem dessa tradição.

“Repercutiu na imprensa na últimas semanas trotes de escolas famosas no país, com alunos que humilharam e maltrataram os calouros. Com esse trote nós viemos dar uma resposta e mostrar que podemos ter uma semana de brincadeiras e interação e, ao mesmo tempo, ajudando ao próximo”, explica.

Um dos calouros que participa dos eventos é Sérgio Luiz de Carvalho, que decidiu retornar à universidade aos 49 anos. Sérgio já havia ingressado no curso em 1979, mas abandonou por questões pessoais. Agora que passou no vestibular novamente, o estudante sente a diferença e garante estar encantado com a iniciativa do trote solidário.

“Antes tinha uma calourada regada a muita cerveja e algumas apresentações culturais. Agora eu acho que os alunos de Medicina de Sergipe estão dando um grande exemplo pra sociedade. Não é admissível que uma pessoa que está sendo preparada pra salvar vidas receba seus colegas de forma brutal como acontece em outros Estados”, garante.

 


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