Na presença de mais de 3 mil professores e educadores de todas as regiões do Brasil e de outros 22 países, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça – MJ - concedeu a anistia política post mortem ao educador Paulo Freire, falecido em 1997. A cerimônia, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, foi marcada pela emoção e pela homenagem ao pernambucano que revolucionou as técnicas de ensino em todo o mundo.
Realizado no âmbito do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica, organizado pelo Ministério da Educação – MEC -, o julgamento do processo foi feito por uma turma especial da Comissão de Anistia. Presente na cerimônia, a viúva, Ana Maria Araújo Freire, se emocionou ao falar do marido. “Hoje, Paulo, você pode descansar em paz. Sua cidadania plena, sem vazios e sem lacunas, foi restaurada, como você queria, e proclamada, como você merece”, disse.
O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, disse que o pedido de desculpas em nome do Estado brasileiro também era direcionado aos milhões de brasileiros e brasileiras que deixaram de ser alfabetizados e emancipados por Freire. A extinção do Plano Nacional de Alfabetização, que levaria o - método Paulo Freire - a todo o país, foi um dos primeiros atos do regime autoritário, após o golpe de 1964.
O educador pernambucano foi afastado da coordenação do Plano Nacional, instituído meses antes pelo MEC, e aposentado compulsoriamente da cadeira de professor de História e Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco. Após ser preso por 70 dias em uma cadeia de Olinda (PE), partiu para o exílio, retornando ao Brasil somente em 1980.
Em razão da perseguição política que resultou em 16 anos de exílio, a Comissão de Anistia concedeu indenização de R$ 100 mil - teto da prestação única, que prevê 30 salários mínimos para cada ano de perseguição comprovada.
CARAVANA
Projeto educativo da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, a Caravana da Anistia promove sessões públicas em todo o país. Desde abril de 2008, percorreu 16 estados, inclusive em Sergipe, e julgou mais de 500 processos. Além de resgatar a memória política do país, o projeto pretende aproximar os jovens da temática da luta pela democracia e dar mais transparência aos critérios de julgamento.
A 31ª edição foi realizada em parceria com o Instituto Paulo Freire e com o apoio das seguintes instituições: comissões de Educação da Câmara e do Senado, Ministério da Educação, Unesco, Associação dos Juízes para a Democracia, Instituto Catarinense de Aprendizagem e Educação Infantil (ICAE), Movimento dos Sem Terra (MST), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e Associação Brasileira de Ensino do Direito (ABEDI).
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