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| Antônio garante qualidade da madeira Foto: Ana Lícia Menezes |
Reflorestar significa replantar árvores em áreas anteriormente ocupadas por florestas e outras formações vegetais. Uma área devastada pode ser reflorestada com espécies nativas, que vão restituir a riqueza e a biodiversidade da floresta original, realizada a partir de um levantamento das espécies características que a constituíam anteriormente. O reflorestamento também pode realizado com espécies de crescimento rápido, como eucaliptos e pinheiros, por exemplo.
Em Sergipe, a Fazenda Campo Belo – localizada no povoado Duro, em Itaporagna D’Ajuda – é a única que trabalha com reflorestamento feito por eucaliptos. Há quatro anos, o proprietário Antônio Carlos de Oliveira, 62 anos, teve a ideia de se dedicar à silvicultura – implantação de florestas. Hoje, 90% dos 475 hectares de terra são ocupados por vastas avenidas de eucalipto. “O restante da área pertence à Mata Serra Grande, uma reserva legal que faço questão de preservar com unhas e dentes”, destaca Antônio Carlos.
“A ideia da floresta de eucalipto surgiu quando vi que o nosso Estado é bem dependente da Bahia, onde a prática está difundida há anos. Começamos a implantar na fazenda e depois, graças à procura, montamos uma empresa de reflorestamento”, explica Antônio Carlos. O empresário destaca que o eucalipto, apesar de não ser uma planta nativa do Brasil, tem causado um benefício muito grande ao país. “Isto acontece porque a partir do momento em que se planta o eucalipto e se extrai a madeira para fins diversos, evita-se a derrubada de árvores nativas, pertencentes à mata atlântica. Desta forma, o desmatamento da natureza não acontece”, argumenta Antônio Carlos.
FALTA APOIO
O eucalipto é uma planta de rápido crescimento. Pode ser plantado com mudas clonadas (geneticamente modificadas) ou sementes. O ciclo do corte é a partir dos quatro anos. O silvicultor Antônio Carlos garante que se for bem tratado o eucalipto tem durabilidade igual a qualquer outra madeira. “É polivalente e de grande serventia na construção de casas, quiosques, galpões, pontes. Fornece madeira de boa qualidade, como também produz mel. Suas folhas também são utilizadas na produção de óleos, desodorantes, sabonetes e outros produtos de limpeza”, destaca Antônio.
“É uma planta que o sergipano está necessitando, mas que, infelizmente, o governo não tem dado o apoio devido. O governo não tem interesse de que o campo ande com as próprias pernas. Quando se planta eucalipto, a indústria vem como conseqüência. E este tipo de indústria é muito importante, inclusive para a exportação”, acrescenta o empresário.
Antônio Carlos também faz questão de desfazer alguns mitos sobre o eucalipto. “Dizem que é uma planta fraca, mas é bom esclarecer que já existe tratamento térmico e com herbicidas para deixá-la mais durável. Dizem, também, que ele costuma secar a terra, mas isto não é verdade. É uma árvore comum. É tolerante ao verão, adequado, portanto, ao Nordeste. Tolera quase todo o tipo de terreno, aproveitando os locais da fazenda. Isto possibilita o consorcio com outras lavouras e pecuária”, esclarece o silvicultor.
A Fazenda Campo Belo também possui horto com mudas para abastecer pequenas propriedades. Lá, tem sido cenário de estudo para pesquisadores e alunos da Universidade Federal de Sergipe – UFS.
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