12 anos depois, Brasileirão pode ter investigação sobre resultados montados

 

Em 2005, após comprovada a manipulação de 11 partidas do campeonato brasileiro de futebol daquele ano, a partir de investigação sobre a atuação do árbitro Edilson Pereira de Carvalho, as partidas foram anuladas e realizadas novamente. Depois de 12 anos a polêmica ressurge em uma rodada, a 13ª, em que apenas um dos mandantes, num total de 10 jogos, venceu em seus domínios. E, em um deles, um acréscimo de 10 minutos, sendo que, dentro desse período, é que se acabou decretando a vitória do Santos sobre o Atlético Mineiro em pleno estádio Independência, casa do Galo.

Já há indicação de que podem ocorrer investigações independentes para averiguar se houve fraude ou não nesse e em outros jogos e, em caso positivo, seria pedida a anulação. Uma das partes mais interessadas nessa investigação são os sites de apostas internacionais, pois, diferentemente daquelas patrocinadas pelo Governo Federal, através da Loterias Caixa, a Confederação Brasileira de Futebol, CBF, não recebe percentuais sobre as apostas realizadas nesses sites.

Para além do tempo extra incomum na partida entre Atlético Mineiro e Santos, um outro dado chama bastante a atenção nesse jogo: é que o Atlético, jogando em seu estádio, o Independência, desde que ele foi reinaugurado, disputou 162 partidas, venceu 110, empatou 34 e perdeu apenas 18. E é justamente a 18ª derrota, para o Santos, que acabou causando, juntamente com mais 8 jogos em que o visitante venceu, além de um empate na rodada, que ocasionou um pagamento recorde de apostas nos sites internacionais em que a população tem feito a sua popular “fezinha”.

MANIA

Verdadeira febre entre apostadores, esses sites realizam as apostas que, em solo nacional, não são permitidas, uma vez que a exploração de jogos de azar no Brasil é uma exclusividade das Loterias Caixa, ligada a Caixa Econômica Federal, um dos maiores bancos estatais do País. Mas, como esse tipo de site se hospeda em países diversos pelo mundo, as apostas correm soltas, pois a legislação brasileira ainda é deficiente na fiscalização desse tipo de atividade.

E os apostadores também estão desconfiados de que pode ter acontecido algo errado na 13ª rodada do Brasileirão. Resguardando a identificação das pessoas que falaram com a reportagem, alguns jogadores desses sites se manifestaram. “Eu ganhei, quero receber e acredito que vou receber sim, pois já ganhei outras vezes. Mas é mesmo muito estranho que tantos jogos tenham tido esse tipo de resultado, com os times visitantes vencendo tanto”, diz A.V.S, que tem em mãos uma aposta vitoriosa de R$ 1.800. “E esse jogo do Santos e do Atlético, hein? Não é nada demais o Santos vencer, já que as zebras acontecem. Mas ter 10 minutos de acréscimo?”, questiona J.L.S.M. que, desta vez, não tinha apostado na rodada. “Tava sem dinheiro, mas, se apostasse, eu perderia”, diz entre risos.

Já entre os representantes nas vendas, caso de L.B.S., um misto de confiança no pagamento e desconfiança nos resultados. “Faço aqui mais de um tipo de aposta, de sites diferentes. E todos já entraram em contato, assegurando o pagamento, até porque no próprio boleto tem dizendo que são até oito dias para pagar. Mas eu fiquei com a pulga atrás da orelha com esses resultados. Foi muito estranho. Parece que fizeram de propósito para atrapalhar os sites. Porque nem os times e nem a CBF ganham nada com isso, né?”. E é essa postura que indica a possibilidade do início das investigações. Porque mais do que o prejuízo financeiro, o que está em jogo é a maior paixão esportiva nacional.

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