Loucas por promoção: “Meninas do Supermercado” ajudam aracajuanos a economizar


Nana e Kyu comandam o perfil de promoções "Meninas do Supermercado" há um ano

Em tempos de crise financeira, economizar no orçamento doméstico é o lema dos brasileiros, principalmente na aquisição de itens básicos do lar. É nessas horas que muitos cidadãos se apegam às promoções. Pois, foi-se o tempo em que uma pessoa tinha condições financeiras de ir ao supermercado e encher um carrinho de compras.

“Hoje, a gente não consegue mais fazer aquela feira do mês, entrar no supermercado e sair com carrinho cheio. Estávamos habituados a fazer isso. Contudo, agora, tem que ir e aproveitar aquilo que está com o preço bacana e fazer o estoque. Dói o coração quando a gente vê um carrinho cheio”, opina a economista e designer de interiores Cristiane Matos.

Baiana de nascença, moradora de Aracaju há nove anos, Cristiane, ou simplesmente Kyu Matos, 38 anos, criou no Facebook, Instagram, Twitter e Youtube a página “Meninas do Supermercado”, em junho de 2016, juntamente com a amiga Williana Boto, 31 anos, – a Nana, capixaba, aracajuana de coração – com o seguinte lema: “duas meninas e uma missão: encontrar produtos com preços irresistíveis”.

BRINCADEIRA DE AMIGAS
Só no Instagram das “Meninas do Supermercado” são mais de 46 mil seguidores – todos, claro, atrás de promoções, tentando economizar. Diariamente, Kyu e Nana alimentam os perfis nas redes com dicas, postagens com pesquisa de preço, após ir todo santo dia ao mercadinho, com exceção do domingo.

Meninas alimentam perfis com pesquisa de preço (Crédito: Cinform)

Tudo começou com uma brincadeira de amigas. “Éramos quatro no início. Ir ao supermercado era nosso passeio de shopping. Fazíamos questão de fazer compras juntas”, diz Nana. “Era para a gente desopilar a mente. Livrar a cabeça de marido, filho, trabalho, da vida cotidiana”, relembra Kyu – ambas são casadas, trabalham, tem duas filhas e não possuem empregadas.

Com o tempo, surgiu o grupo de WhatsApp entre as quatro amigas. “Chegou um momento que as agendas não batiam. Aí, era aquela coisa, Kyu ia ao supermercado, chegava lá e achava oferta de queijo, e saia ligando para uma e outra. Eu dizia ‘Quero quatro quilos, a outra, quero cinco’. Aí, saía a louca do queijo na fila do mercadinho. Isso um ano e seis meses atrás”, relata Nana aos risos.

UTILIDADE PÚBLICA
Vendo a interação, a utilidade disso para a sociedade, os maridos das quatro começaram a estimular a tornar o hábito delas público. “Um belo dia, mandei mensagem para o grupo dizendo: ‘meninas, o que vocês acham da gente fazer uma página’?”, relembra Kyu. Elas toparam.

“Aí já fui dizendo: ‘Olha, o nome é “Meninas do Supermercado”. Acessa aí, toma o login e senha. Já estou aqui no mercadinho postando a primeira oferta’”, diz Kyu. E assim está até hoje. A diferença é que agora são apenas duas nessa empreitada. “É utilidade pública. Com a situação que está nosso País hoje, isso que fazemos é importante para economia”, afirma Nana.

A dona de casa Fernanda Barros, 35 anos, que o diga. “Antes de conhecer as “Meninas do Supermercado”, geralmente, fazia mercadinho de mês. Mas, hoje em dia, sei que economizo bem mais comprando coisas na oferta. Antes, por exemplo, comprava alcatra por R$ 34, 90 até, agora, consigo de R$ 17,90”, afirma.

De segunda a sábado, Kyu e Nana caçam promoções (Crédito: Cinform)

ECONOMIA DE 30%
“Foi uma reeducação financeira grande. O peito do frango, por exemplo, gastava R$ 12,90, agora, consigo por R$ 8,90, R$ 7,90. A gente economiza bastante. Posso dizer que, se antes eu fazia um supermercado de R$ 800 por mês, hoje em dia, gasto R$ 550, R$ 600. Uma economia de quase 30%”, relata Fernanda.

Enganado está quem pensa que as “Meninas do Supermercado” são seguidas somente por homens. Claro, 81% do público é feminino, mas existe uma parcela de 19% masculino. É o caso do engenheiro de produção Jorge Duarte, 32 anos, apelidado de “o menino do supermercado”.

“Sempre gostei de ir ao supermercado. Quase todo dia estou lá. Inclusive, mando dicas para as meninas. Minha esposa entra cedo no trabalho e meu filho na escola, então, aproveito o intervalo entre 7h e 8h, e vou à caça. Virou hábito na minha vida e faz efeito nas minhas contas. Indo todo dia decoro os preços dos produtos e dou fé logo quando está na promoção”, relata Jorge.

 

 

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