Mais ciclistas, menos manutenção e interligação nas ciclovias de Aracaju


Flagrante da dificuldade de travessia na ponte que liga a 13 de Julho à Coroa do Meio (Foto: Vieira Neto)

Segundo a ONG Ciclo Urbano, cerca de 17.100 pessoas utilizam a diariamente a bicicleta como meio de transporte em Aracaju. Porém, a capital sergipana, que já chegou a ter a maior rede cicloviária proporcionalmente à população em 2011, não realizou manutenção ou ampliação das ciclovias nos últimos anos.

“Através das contagens de ciclistas que realizamos nas principais avenidas de Aracaju, estimamos que cerca de 17.100 pessoas utilizam bicicleta diariamente em seus deslocamentos. É, certamente, muito mais, pois sabemos que nas ruas locais há um número incontável de pessoas que realizam pequenos deslocamentos em bicicletas, dentro de bairros”, comenta a presidente da ONG, Sayuri Dantas.

A Lei Municipal Nº 3.841/2010, estabelecia um prazo de três anos para que a Prefeitura implementasse de forma gradativa ciclovias nas principais vias da cidade, como as avenidas Hermes Fontes e General Euclides Figueiredo. No entanto, até 2018 pouco foi feito para interligar os cerca de 60 km de ciclovias da capital sergipana.

A Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Aracaju (SMTT), reconhece a necessidade de manutenção e ampliação das ciclovias e ciclofaixas na cidade. “Durante a última gestão não houve uma ampliação e nem mesmo a manutenção das ciclovias que já existiam. Então, essa malha cicloviária precisa de manutenção, de interligação e ampliação, e essas já eram necessidades apontadas desde 2012”, comenta a diretora de Planejamento e Sistemas da SMTT, Lucimara Passos.

O repórter fotográfico do CINFORM, Vieira Neto, flagrou a dificuldade dos ciclistas ao trafegarem pela ponte que liga os bairros Treze de Julho e Coroa do Meio. A ponte fica entre duas ciclovias que não possuem interligação e obriga os ciclistas a dividirem uma pequena calçada com os pedestres e outros ciclistas.

Uma das ciclovias que mais necessita de manutenção é a da Avenida Heráclito Rollemberg. Buracos e elevações põem em risco os ciclistas que trafegam do Distrito Industrial de Aracaju (DIA) em direção ao bairro Augusto Franco.

“Em vários trechos das ciclovias há buracos e elevações que trazem risco para quem não tem o hábito de transitar por ali e pode acabar se machucando”, alerta o servidor público Thiago Reis, que utiliza a bicicleta como meio de transporte.

Sayuri Dantas comenta que além da manutenção das ciclovias, faltam também iluminação, sinalização e faixas de travessia em algumas regiões. “A região do viaduto do DIA é uma das mais críticas, porque é uma área que carece de sinalizações, faixas de travessia, iluminação pública e redutores de velocidade”.

MUDANÇA DE HÁBITOS

Nos últimos anos muitas pessoas trocaram os ônibus e carros pelas bicicletas como meios de transporte. O funcionário público Rafael Barbosa fez essa troca por considerar que, de bicicleta, os seus trajetos ficaram mais rápidos. “Moro na Atalaia Nova (Barra dos Coqueiros), estudo na UFS e trabalho no centro de Aracaju. De bicicleta eu chego mais rápido onde quero, ao invés do ônibus”, comenta.

A ONG Ciclo Urbano registrou um aumento de ciclistas que trafegavam na avenida Heráclito Rollemberg entre os anos de 2013 e 2017. “Esse aumento foi mostrado na contagem de ciclistas mais recente, realizada no final do ano passado. Em 2013, na primeira contagem da av. Heráclito Rollemberg, computamos 2.703 ciclistas e no ano de 2017 foram contados 3.460 ciclistas”, comenta Sayuri.

EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO

A SMTT afirma que, além de proporcionar melhores vias para que os ciclistas trafeguem, é necessário que tanto os motoristas quanto os próprios ciclistas conheçam as regras de trânsito, para que haja uma melhor convivência entre eles e para que o número de acidentes diminua.

“Não adianta nós incentivarmos o uso da bicicleta e as pessoas que não usam esse tipo de transporte não saibam conviver com a bicicleta. Então, nós compreendemos que os projetos de educação no trânsito são fundamentais para diminuir o número de acidentes, para orientar os motoristas e os ciclistas também sobre as regras de trânsito. Porque alguns ciclistas, às vezes, acabam se colocando em risco até por não conhecerem as regras de trânsito”, comenta Lucimara.

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