Convenções definem nomes para eleição


Atual fase do processo eleitoral chega ao fim
com muitas disputas internas nas coligações

Anderson Christian

Caso fosse possível fazer uma comparação esportiva do processo eleitoral em vigor, com vistas às eleições de 2018, a fase das pré-campanhas, que chega ao fim com a oficialização das candidaturas através das convenções partidárias, poderia ser chamada de maratona: longa e com uma estratégia aplicada com vistas a manter o fôlego dos candidatos/corredores.

Desde o sábado, 28 de julho, quando a Rede fez sua convenção, até o domingo, 5, quando os partidos de sustentação ao atual governo também convocaram seus convencionais para a homologação dos nomes a serem inseridos na disputa de 7 de outubro, um “sprint” ocorreu, pois todos os partidos que concorrerão nas eleições tiveram suas respectivas convenções e definiram as suas candidaturas.

“Até as eleições de 2016, após fechada a ata da convenção, os partidos tinham três dias para entrega-las ao TRE/SE. Este ano são apenas 24 horas”, explica o coordenador de planejamento do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE/SE), Marcelo Gerrard. Assim sendo, até o final da tarde desta segunda, 6, tudo estará praticamente definido.

QUEM QUER O GOVERNO

Silvia Fontes, a vice, discursa durante convenção do PSB

Assim, com as candidaturas mais visíveis e bem posicionadas até o momento – Belivaldo Chagas (PSD), Eduardo Amorim (PSDB) e Valadares Filho (PSB) – realizando suas convenções entre a sexta, 3, e o domingo, 5, tudo ficou acertado sem maiores surpresas. Belivaldo terá como companheira de chapa para vice a atual vice-prefeita de Aracaju, Eliane Aquino (PT). Eduardo Amorim vai acompanhado pelo empresário estanciano Ivan Leite (PRB) e Valadares Filho tem na sua chapa a atual deputada estadual Silvia Fontes (PDT).

“Nós estamos muito felizes com o resultado da convenção. Saiu tudo conforme tinha que ser, através de muito diálogo, resolvemos tudo e fizemos o que era necessário para compor uma coligação forte e que sairá vitoriosa em 7 de outubro, se Deus quiser”, disse o candidato a governador Eduardo Amorim. Já para Valadares Filho, o momento é de demonstrar coesão. “Foi uma convenção extremamente representativa, forte, emocionante, com a presença do povo de Sergipe, dos 75 municípios”. Último a realizar a convenção, o candidato a reeleição Belivaldo Chagas se disse disposto a mudar a realidade do Estado durante o discurso após a confirmação de seu nome. “Precisamos ter um novo projeto para Sergipe, inovador, com modernidade administrativa e sanar as finanças”.

Além dessas candidaturas, estão confirmadas as de Mendonça Prado (DEM), com Jorge Husec (DEM), como vice. Emerson Ferreira (Rede) irá para a disputa na companhia de Américo de Deus. Márcio Souza (PSol) terá como companheira de chapa Simone Rocha. Já Gilvani Santos (PSTU) é candidata a governadora tendo como vice Djenal Prado. João Tarantela (PSL) faz dobradinha com Hélio Rubens como seu vice. Por fim, Milton Andrade (PMN) terá a companhia da candidata a vice Rafaela Soares. Portanto serão nove candidatos a governador nas próximas eleições.

SUPLÊNCIA IMPORTANTE

Belivaldo no momento em que chegava para convenção do PSD

A confirmação dos nomes que disputarão as duas vagas de senador nas eleições de 2018 certamente foi destaque, mas vale notar que os seus respectivos suplentes também se tornaram um capítulo à parte no processo eleitoral deste ano. André Moura (PSC) terá Agnaldo de Verso (PR) como primeiro suplente e Edvaldo da PneuCenter (PTC) como segundo. “Foi uma escolha tranquila”, vaticina André. Seu companheiro na chapa majoritária, heleno Silva (PRB) terá Adailton Sousa (PR) na primeira suplência

Henry Clay (PPL) vai com Antônio Cláudio (PPL) e Orlando (PSB). Já o senador Valadares (PSB), candidato à reeleição, tem Cris Teixeira (PTB), na primeira suplência, e Elber Batalha (PSB) na segunda. No campo governista, a candidatura de Jackson Barreto (MDB) ao Senado vai acompanhada de Sérgio Gama e Filadelfo Alexandre, respectivamente primeiro e segundo suplente, ambos do MDB. E Rogério Carvalho (PT) terá a companhia do empresário Jorge Mitidieri, primeiro, e da vereadora Maria da Taiçoca, segunda suplente.

Alessandro Vieira (Rede) também teve definidos os seus suplentes. “Fernando Prado e Major Ildemário, ambos filiados à Rede”, disse o candidato único a senador da Rede Sustentabilidade. O PV, que acompanha o DEM nestas eleições, terá Reynaldo Nunes como candidato a senador, com o economista Vagner Barreto como primeiro suplente e Saulo Almeida como segundo.

“Houve um “golpe” na escolha dos suplentes de Jackson. Deram um golpe em Benedito Figueiredo, que queria o espaço de primeiro suplente, mas sou pode indicar o segundo”, disse uma fonte que pediu preservação de sua identidade. Já no campo oposicionistas, idas e vindas do empresário Teixeira Caminhões, que emplacou a esposa como primeira suplente de Valadares, e a briga por espaço na suplência de Heleno Silva chamaram atenção. “Foi pesado o jogo nos dois casos”, disse a mesma fonte, que tem transito livre entre todos os agrupamentos políticos sergipanos.

As demais candidaturas ao Senado não tiveram tantas operações de bastidores. Assim, o Psol vai com Sônia Meire e Jossimário Mick. O PSTU apresenta o nome de Clarckson Araújo. Os demais nomes na disputa para o Senado, dos outros partidos na disputa, não foram divulgados até o fechamento desta edição. “O próximo passo agora é entregar as atas no TRE/SE, que alimentarão o nosso sistema, o Candex, e então apresentar todas as documentações necessárias.

PROPORCIONAIS PROBLEMÁTICOS

E com exceção dos partidos menores, em que as discussões para a formação das chapas proporcionais, que terão os nomes dos candidatos a deputado estadual e federal, não foram acirradas, as maiores coligações penaram para fechar a formatação dessas candidaturas. Tudo por conta das chamadas “chapinhas” e “chapões”. Trocando em miúdos: os “chapões” seriam as coligações que colocariam todos os partidos juntos. E as “chapinhas” seriam as que partidos menores se juntariam para buscar a eleição de um nome mais forte eleitoralmente.

Em público, todos garantem que as negociações foram tranquilas. “Tudo acertado com todas as lideranças”, diz Valadares Filho. Mas a mesma fonte que transita entre os diferentes agrupamentos disse que membros do PSB, partido do próprio candidato a governador, espernearam por achar que o PTB, uma das siglas que compõem o apoio a Valadares Filho, saiu privilegiada ao formar uma chapinha. “Eles dizem que as chances do PTB são maiores do que as do PSB.

Eduardo Amorim também afirma que tudo saiu a contento. “Até o PPS no “chapão” para federal, o que foi muito bom”. A nossa fonte diz que não foi bem assim. “Teve uma candidata a deputada estadual que chegou a implorar para seu partido ir para a chapinha, mas não foi atendida”. E, por fim, a coligação governista, que até o fechamento da edição não tinha uma posição definitiva. “O PCdoB ficou de fora da “chapinha” que, aliás, foi encabeçada pelo Podemos numa orquestração de Jackson Barreto. E isso só favorece um candidato: Zezinho Sobral, que é do Podemos. Ainda vai dar pano pra manga”, disse a fonte.

Agora é aguardar a oficialização dos documentos de cada um dos candidatos que, no caso das eleições proporcionais, deve ficar em torno de três centenas de nomes. “Salvo por desistências de candidaturas e por falecimento, quando os nomes podem ser substituídos. Até o dia 15 de agosto as substituições podem ser feitas, no caso das desistências”, finaliza Marcelo Gerrad, do TRE/SE, lembrando que, em caso de falecimento, o prazo, por óbvio, não é datado. Assim, entre mortos e feridos, ao menos aparentemente, salvaram-se todos até esta etapa da corrida eleitoral, que deixa de se parecer com uma maratona para, daqui em diante, se tornar algo mais próximo de uma corrida de 100 metros.

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