Por que sair para comer depois do cinema pode alterar sua experiência gastronômica


O efeito borboleta

Feriado taí. Pegar um cineminha pra ver um filminho como ‘O Candidato Honesto 2’ em pleno 7 de setembro poderia ser um programinha bacana. Barato não é. Só bacana. O ingresso é caro (dependendo do dia, de R$ 27 a 35,), a pipoca é cara, o refri também: um combo dos dois é R$ 29,. Então cê faz o quê? “Na saída do cinema, eu como alguma coisa.”

Antes da pipoca estourar e as luzes se apagarem, ouvimos, entre os dias 28 e 29 de agosto de 2018, 857 pessoas sobre ‘coisas que me irritam no cinema’. A pesquisa apresentou fatores e graus de irritação: me irrita muito, me irrita, indiferente, tô nem aí e tô muito nem aí. A gente vai partir logo para o TOP 10 do Me Irrita Muito.

 

O pé nas costas da poltrona irrita pácarai. Irrita muito. Além desses 10, o excesso de comerciais, aquele pessoal que chega atrasado pra sessão fazendo você praticar exercícios de power yoga, gente que ri alto, as filas, as várias salas com o mesmo filme, o excesso de trailers e aquela famosa sessão das 14h40 são outros fatores de irritação dos entrevistados. A turma do ‘tô muito nem aí’, tá muito nem aí pra essa sessão também.

E diante de tanta coisa irritando, outro questionamento usado pra medir a paciência foi a seguinte pergunta: você já discutiu no cinema?

Há muita gente irritada com muita coisa, e que não tá reclamando. E reclamar não necessariamente é brigar. Estariam eles deixando as salas de cinema como opção de entretenimento? Será que eles acham que o dever de zelar pelo conforto coletivo é do cinema? Perguntamos: como você acredita que o Cinemark, ou Cinesercla, se posicionam diante desses problemas que causam irritação?

 

Nove em cada dez pessoas acham que a empresa é quem tem que atuar na diminuição desses incômodos. Diminuir as filas, os comerciais, no preço da pipoca, nisso tudo eles até poderiam atuar. Mas no comentarista de filme e no rapaz que insiste em bater o pé na sua poltrona, desses aí só a educação ou um belo copo de refri jogado pra trás.

Como essa é uma pesquisa inédita, não temos dados comparativos para avaliar se isso tudo tem afastado as pessoas das salas de cinema como ventilado minutos atrás. Porém, os entrevistados revelaram índices que precisam ser analisados. Apenas 12% deles vai no cinema uma vez por semana. 40% afirmaram ir uma vez por mês. As pessoas estariam deixando de assistir filmes? Ou estariam deixando de assistir filmes no cinema?

‘Ah, mas não é só os fatores irritantes que tem afastado as pessoas do cinema…a tecnologia também tem afetado a audiência’. Perguntamos em questão de múltipla escolha (o entrevistado poderia citar mais de uma opção): em casa, você costuma assistir filmes de que forma?

O Netflix se apresenta como plataforma bem arrasadora para a grande maioria. A TV aberta é a última opção.

O Netflix custa R$ 27,90 por mês para 2 telas em HD. O cinema cobra praticamente o mesmo para uma sessão. Se o Netflix cresce, o delivery cresce junto, e isso afeta positivamente alguns e negativamente outros estabelecimentos.

Se o cinema não debater essas questões que tem irritado os clientes, lá vai você sair do cinema irritado, vai pra um restaurante irritado, vai maltratar o garçom, que vai trabalhar mal humorado, que vai fazer cara feia pro chef, e o chef vai fazer com raiva, que vai mandar o prato com raiva, e você pode ter dor de barriga.

Muita gente pode tá preferindo ficar em casa mas ainda nem parou pra pensar nos porquês. Que essa mensagem toque no coração de alguém que fica tocando o pé nas costas da poltrona. O efeito dessa irritação tá indo bater lá nos 10% que a gente dá ao garçom, e ele tem família pra cuidar.

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