A arte de cozinhar cura


Diminui o estresse e eleva a autoestima, prevenindo doenças como depressão e ansiedade

Por Thayná Ferreira

Cozinhar é uma arte, estimula a criatividade e o bom gosto. Mas o efeito que o ato traz nas pessoas é impressionante. Seja um simples brigadeiro ou até um escargot, mexe muito com o cérebro, podendo até curar doenças psicológicas como depressão e ansiedade. A gastronomia como forma de terapia constrói. Segundo a psicóloga Ellen Mayrla Vicente (CRP 19/3383), cozinhar com frequência e prazer

A psicóloga Elen Mayrla está no instagram como @oquequerosaber

pode funcionar como uma forma de mindfulness, isto é, atenção plena. Ela explica esta técnica visa desenvolver a completa atenção naquilo que fazemos no momento.

“Com a correria diária, entramos facilmente no automático e nos tornamos ausentes do presente enquanto nossa cabeça divaga entre as lembranças do passado e as inseguranças do futuro. Esse hábito gera estresse e ansiedade, além de geralmente trazer à tona conteúdos negativos que são repassados várias vezes na nossa mente, gerando entristecimento e falta de motivação. Desse ponto estamos a um passo para o adoecimento emocional. O hábito de cozinhar com prazer nos permite trazer nossa atenção para o que estamos fazendo no momento e focar nos gostos, nos aromas, nas medidas que utilizamos para construir nossos pratos e no prazer que tudo isso nos proporciona. É uma ferramenta poderosa para se exercitar a atenção plena (mindfulness)”, declara.

A psicóloga afirma ainda que muitas pessoas utilizam a arte da gastronomia para comunicar seus sentimentos para quem ama. Para ela, cozinhar para outra pessoa é como dizer “eu te amo” com ações, e receber um elogio dela pelo prato feito com tanto carinho é como ser recompensado na mesma medida.

“De qualquer forma é importante pontuar que esse ato não substitui a comunicação pela fala em todas as ocasiões. Talvez a pessoa que você ama precise ouvir de você sobre seus sentimentos por ela e é importante desenvolver essa habilidade com as palavras também para incrementar o seu prato. Para concluir, é importante destacar que o hábito de cozinhar em si não cura doenças psicoemocionais, apesar de ser um bom aliado no processo terapêutico para algumas pessoas. Entretanto, em casos de depressão, ansiedade e traumas, em quaisquer níveis, é imprescindível que se busque acompanhamento psicológico e psiquiátrico para obter resultados realmente eficientes de melhora e cura”, acrescenta.

A psicóloga Tereza Lobão atende na Casa da Poesia, no Bairro Luzia

De acordo com a psicóloga Tereza Raquel Lobão (CRP 19/2059), não há informação de comprovação cientifica para os efeitos da gastronomia como forma de superação de traumas. Porém, segundo ela, cozinhar é um ato que, assim, como qualquer tarefa que envolva dedicação e prazer, contribui para a melhoria da saúde emocional e mental. Além de contribuir para uma melhora na concentração e diminuição da ansiedade.

“Cozinhar desperta os sentidos. É uma forma de comunicação, pois favorece a expressão de sentimentos. Cozinhar também resgata memórias afetivas. Cheiros, texturas, cores e sabores envolvem lembranças do passado e o contato com as nossas primeiras experiências afetivas. Porém, cozinhar não é terapia, mas é terapêutico. A cura de algum transtorno envolve uma série de fatores. Cura para a psicologia pode ser diferente de cura para a medicina. Cura para a psicologia envolve, em muitos casos, aprender a conviver com a doença e ter qualidade de vida mesmo que não possamos falar em supressão dos sintomas. A gastronomia pode ser um meio de obter qualidade de vida, pois além de favorecer o contato com a expressão de sentimentos e sentidos, faz obter informações sobre o ato de comer alimentos saudáveis e ter uma alimentação saudável. Outra coisa positiva é que cozinhar envolve o contato com o outro, pois quando cozinhamos o fazemos para alguém. Os benefícios podem ser visto no desenvolvimento da atenção plena, da concentração, memória, relaxamento, felicidade e prazer”, explica.

“GASTROTERAPIA”

A administradora Diana Sampaio fica tranqulila quando cozinha

A administradora Diana da Silva Santos Sampaio tem a gastronomia como forma de terapia. Nas horas vagas ela preparada diversas receitas e se sente relaxada do estresse do seu trabalho. “Os aromas das comidas e a atenção que você tem que dá a cada produto e/ou receita faz com que eu me sinta relaxada, principalmente quando faço doces. Como trabalho em um ambiente muito estressante, o hábito de cozinhar me deixa mais calma, seja a receita mais simples até a mais complicada”, relata.

 

TEMPERO DA ELIS
A jornalista Elis Regina criou uma página no Instagram chamada Tempero da Elis, que visa motivar pessoas que gostam de cozinhar a utilizarem como forma de terapia. A criação da página se deu após ela ficar desempregada e ficar muito tempo em casa sem fazer nada, o que podia comprometer sua saúde mental.

“Foi com essa experiência que muita coisa mudou. Eu passei a distrair minha mente e percebi que cozinhar pode

A jornalista Elis Regina administra o Instagram @temperodaelis.oficial

auxiliar na saúde mental. A experiência com a página está sendo muito positiva, porque as pessoas têm gostado do formato. Tenho recebido muitas mensagens dos seguidores dizendo que gostou da página e até pedindo outras receitas de pratos para fazer em casa. Então esse feedback já mostra um pouco que a página tem contribuído muito, inclusive, já tenho algumas parcerias com psicológos para mostrar mais conteúdos aos meus seguidores. A expectativa é que possamos unir mais seguidores e fazer com que essas pessoas sejam ajudadas de alguma forma, seja com dicas de receitas, produtos, informações da área da gastronomia, conteúdos sobre motivação e terapia, etc“, esclarece.

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