Brechó virtual: comodidade e praticidade


Ediê Reis: “Comprar em brechó estimula a engrenagem da moda consciente”

Modelo de vendas tem atraído cada vez mais adeptas

Nos últimos anos o consumo de produtos de moda tem mudado bastante. Muitas pessoas tem deixado de comprar em grandes lojas de departamento e optado pelas compras em brechós. Sobretudo em virtuais: em redes sociais ou em sites especializados.

Ellen Cristina não tinha o hábito de comprar em brechós

Por mostrarem as peças com seus respectivos tamanhos e por terem preços acessíveis, essa nova forma de comprar roupas, sapatos ou acessórios tem atraído cada vez mais adeptas em Aracaju. Principalmente aquelas pessoas que não tinham o hábito de frequentarem os brechós físicos que ainda existem pela cidade.

“Nunca comprei em brechó físico, apesar de ter ido. Aqui em Aracaju eu só conheci um e não me agradou porque achei muito desorganizado e não tive paciência para explorar. Eu sempre tive receio de comprar roupas online porque sou muito magra e não confio muito nos tamanhos. Eu sigo brechós que mostram as roupas no corpo de alguém porque aí eu tenho uma melhor ideia se dá em mim ou não. Eu fiz algumas compras e adorei a experiência”, comenta a jornalista Ellen Cristina Moreira.

Outras buscam nos brechós roupas que tenham o seu estilo, muitas vezes mais vintage, e que são difíceis de encontrar em lojas de departamento. “Desde muito cedo eu tenho uma atração por roupa antiga e com história. Me interessava bastante pelas roupas que minha mãe guardava e tive sorte de herdar algumas peças dela e da minha tia, das décadas de 1970 e 1980. Por causa dessa atração, eu passei a consumir em brechós e comecei comprando online”, lembra Ediê Reis, professora do curso de Estilista do Senac.

NOVAS EMPREENDEDORAS
Esse novo mercado fez com que surgissem novas empreendedoras. Aqui em Sergipe, a maioria das donas de brechó, seja eles físicos ou virtuais, ainda são mulheres. Mas no caso dos brechós online, a maioria ainda não consegue viver apenas dos lucros de suas vendas e trabalham em diversas áreas, até de fora da moda. E foram atraídas para o mercado por já serem consumidoras.

Renata se divide entre a advocacia e o brechó online

Como é o caso da advogada Renata de Oliveira, que há pouco mais de dois meses decidiu abrir o Fiz um Brechó, no Instagram. Ao conhecer os poucos brechós que existem na cidade, ela percebeu um potencial para esse tipo de negócio em Aracaju.

“Por ter dificuldade em encontrar peças que eu gostasse aqui, eu recorria aos brechós de outros estados, mas apesar dos preços serem baratos, muitas vezes o frete não compensava. Então, quando eu encontrei alguns brechós aqui, eu percebi uma oportunidade de me aventurar no empreendedorismo. Mesmo não sendo a minha área, meu já tinha algumas ideias com relação a isso”, comenta.

Alicia Isabella Alves também é uma dessas novas empreendedoras. Antes de abrir o brechó Tropicano, há um ano e meio, ela era apenas consumidora desse tipo de loja, mas acreditava que só poderia encontrar peças vintage fora do estado. “Antes de começar com o Tropicano, eu já acompanhava os brechós online há algum tempo e imaginava que só poderia encontrar peças vintages em brechós de fora do estado. Porém consegui encontrar todo um potencial de roupas nesse segmento aqui no estado e com isso transformar o Tropicano no primeiro brechó de roupas vintages do estado”, lembra.

NOVA FORMA DE CONSUMIR

Alicia começou a cursar Design de Moda por conta da paixão que encontrou trabalhando no brechó

Apesar de muitas pessoas ainda terem “um pé atrás” na compra de produtos já utilizados por outras pessoas, a comodidade de fazer compras em qualquer lugar, a praticidade de receber os produtos em casa e os preços acessíveis têm mudado essa concepção.

“Na maioria das vezes, mesmo com o frete, compensa (pelo preço, qualidade e exclusividade) muito mais do que comprar uma peça nova, até mesmo numa loja de fast fashion. A maior facilidade que o brechó online te proporciona é a de poupar o todo o trabalho de garimpar uma peça”, comenta Ediê, que não lembra quando foi a última vez que foi em uma loja comprar uma peça nova.

Alicia acredita que o consumo consciente e o slow fashion também têm contribuído para a transformação da moda. “Isso influencia diretamente na forma como as pessoas estão repensando sua forma de consumo e muitas vezes parando de consumir em grandes fast fashions e considerando comprar em brechó como uma alternativa mais vantajosa em termos financeiros, de qualidade e redução de dano ambiental causado pela indústria da moda”, comenta.

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