A nova ordem do delivery


Ah, como são bons os ares trazidos pela livre concorrência.

A chegada do Uber Eats agora em novembro em Aracaju – serviço de entrega de comida do Uber – promete dar uma agitada no serviço de delivery local. E no iFood também.

Pesquisa realizada pelo TAC ouviu 1054 pessoas entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro para entender como esse tipo de serviço tem tratado seus consumidores. Foram 74,5% os que confessaram – em pergunta de múltipla escolha – que utilizam aplicativos pra fazer seus pedidos. Mas o telefone não morreu não: 57,2% confessaram pedidos por telefone ainda.

Para quem pede por aplicativo, conhecer o cardápio com facilidade é o grande barato. Pagar pelo app também. O fato de não precisar esperar uma linha ser desocupada é o terceiro fator que os levam a usar a tecnologia.

Oitenta e um por cento declaram demandar os serviço de entrega de comida em domicílio ao menos uma vez por mês. Usuários mais entusiasmados, que pedem mais de uma vez por semana são 1 a cada 4.

Em pergunta de múltipla escolha, questionamos o que os leva a optar por ficar no conforto do seu lar e pedir comida em casa. A busca por uma comida diferente do teimoso pão com ovo, ou cuscuz – que eu adoro! – abriu vantagem. O fato de não precisar cozinhar, da conveniência, da economia do tempo e de não ter que lavar a louça depois fecham o pacote ‘comodidade’ da questão.

A vida dinâmica tem jogado a turma esgotada no sofá ao fim de um dia exaustivo de trabalho, e isso se refletiu na pergunta em que procurou-se saber em que momento se davam esses pedidos. 91% por cento o fazem no jantar. Os outros 9%, no horário do almoço.

 

NASCERAM UM PARA O OUTRO
As pizzas parecem mesmo ter nascido para habitarem os baús das motos da cidade. Em questão, também de múltipla escolha, 85% optam por ela nos pedidos. Hamburguers vem com 72%. Sushi e açaí vem à reboque, com 36 e 32% das intenções.

 

‘AGORA TEM UM NEGÓCIO QUE ME IRRITA’
Claro que a gente ia querer saber: você já se irritou com o serviço de delivery? Que motivos teriam – independente do meio de solicitação – feito o usuário perder o apetite? O atraso na entrega atingiu mais de 87% das citações. E é aí que o Uber Eats entra pra fazer a diferença.

 

COMO FUNCIONARÁ O UBER EATS?
Os restaurantes contarão com um fotógrafo treinado pelo Uber Eats. Nada de subir foto de Motorolla DPC-550 cheia de pixel estourado. Padrão! ‘Ah, mas beleza não põe em mesa’. Calma.

O grande lance tá na logística de entrega. Um motoboy por pedido. Exato. Ele não vai rodar a cidade com 4…5 pedidos – dentre eles o seu – pra aumentar a estatística da reclamação lá do gráfico de cima. Dois minutos antes do pedido ficar pronto, o mensageiro do amor chegará pra resgatar o seu lanche. Isso também fará com que a diferença do que é servido no salão e no que é entregue no delivery diminua. E, diferente do iFood você poderá acompanhar o caminho que o carro ou moto está fazendo em direção a sua casa.

Mas isso tem um preço. Segure esse galinha pulando agora: o taxa para os restaurantes junto ao Uber Eats é a de 27%. Puuuuxe!

SERÁ QUE ISSO VAI CAIR NO BOLSINHO DA GENTE?

“Não irei repassar, vou considerar a redução da margem como um investimento. Trabalharei com o mesmo valor do iFood e do aplicativo Sato”. É o que afirma Eduardo Nunes, proprietário do sushibar Sato.

Para Bruno Prado, da hamburgueria Rota 79, esse custo será absorvido pela casa. “Hoje já atuamos em uma plataforma, onde pagamos mensalidade + 12% de comissão + diária de Motoboy + taxa de cartão; quando se soma tudo isso dará uma taxa que fica em torno dos 27% que o UberEats nos cobrará.”

Ainda segundo Bruno, o Uber Eats tem mais duas grandes vantagens. “Na outra plataforma (iFood) precisamos nos preocupar com motoboy, já no Uber Eats, são prestadores de serviço da própria plataforma, o que provavelmente nos tirará um dos motivos de atraso na entrega. A outra grande vantagem ao meu ver, que o consumidor pagará R$ 4,90 pela taxa de entrega, independente da distância”.

E completa “sabemos que é alta a taxa, mas se levarmos em consideração que praticamente não há alteração nos custos fixos do restaurante, diminuímos nossa margem e não necessitamos repassar aos clientes”.

Conversamos com Fábio Neves, da Dom Tom Universo Gastrô, que tem as operações da pizzaria Babbo Aju, da hamburgueria Target e da texmex Calavera. Segundo Fábio “antes do iFood nós precisávamos de várias linhas e atendentes para fazer pedidos. Imagine que para tirar 10 pedidos ao mesmo tempo era necessário 10 computadores, 10 linhas e 10 atendentes. Com o iFood esse custo operacional reduziu a um computador com acesso à internet + a taxa paga ao iFood. Com o Uber Eats imaginamos que poderá reduzir, já que teoricamente os custos diretos com motoboys praticamente não existirão. Dessa forma acredito que o custo de 27% pode ser absorvido pelo restaurante, mas isso tem que ser avaliado caso a caso.”

 

Anterior GORÉ LOUNGE 
Próximo Restaurante americano quer usar maconha como sedativo na hora de matar lagostas