Um cafezinho… mas de um novo jeito


Segundo a ABIC, existe uma tendência à premiunização do café no Brasil (Foto: Divulgação/Art In Coffee)

Cafés especiais tem ganhado força no mercado brasileiro

Além de sermos o maior exportador de café do mundo, também somos um dos países que mais consomem o grão. Somente em 2017, consumimos mais de uma tonelada de café, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), atrás apenas dos americanos. Mas o tradicional café vendido em pó ou granulado tem perdido espaço para um novo tipo de café: os especiais. O movimento que tenta melhorar a forma como consumimos esse produto vem mudando não só o mercado das cafeterias, mas também as prateleiras dos supermercados.

O café é um produto que está na vida do povo brasileiro há séculos, seja no café da manhã, depois do almoço ou mesmo no jantar. E de tão importante já determinou quem seria o presidente do Brasil durante a República Velha. Por isso, reeducar o paladar do consumidor para trocar o café tradicional, em pó ou granulado, não é uma mudança do dia para a noite, mas já mostra que é uma tendência.

Rodrigo “Kiko” Bastos é um dos sócios do Art in Coffee

“O mercado de café especial tem crescido bastante porque é uma coisa cultural. Assim como as pessoas que gostam de cerveja começaram a descobrir outros tipos e fabricantes de cerveja e esse mercado ganhou o seu público, o café tem ido pelo mesmo caminho. Praticamente todo mundo gosta de café e por ser uma bebida relativamente barata, ela tem conseguido alcançar uma quantidade ainda maior de pessoas”, comenta o empresário Rodrigo Bastos.

A primeira cafeteria que abriu em Aracaju com a proposta de incentivar o público a consumir cafés de melhor qualidade e com diferentes tipos de preparo foi o Art in Coffee, no final de 2016. Segundo Rodrigo, o crescimento até hoje foi de mais de 100%.

“Nós queríamos criar um ambiente agradável para o público, onde ele poderia consumir bebidas de qualidade. Para isso, além do café, nós agregamos os chás especiais e as comidas. E nós percebemos uma oportunidade de levar isso para outras cafeterias da cidade. Hoje, além da nossa cafeteria, que nós triplicamos o espaço físico desde que abrimos, nós fornecemos para cerca de 40 cafeterias e academias, e já estamos terminando de construir a nossa primeira franquia na cidade”, afirma o empresário.

“MAS O QUE TEM DE ESPECIAL NELE?”

Mariana e o marido mergulharam no mundo dos cafés especiais

Apesar de ser um produto muito consumido pela maioria dos brasileiros, algumas pessoas não gostam de café por causa da qualidade oferecida pelos que são vendidos nos supermercados. Mas ao experimentarem os cafés especiais mudaram completamente a sua concepção.

“Eu nunca gostei de café puro, pois sempre achei muito amargo para meu paladar apaixonado por sabores mais doces, até que um dia eu e o meu marido fizemos uma experimentação de diversos métodos de extração de café em uma cafeteria da cidade. Foi aí que eu vi que o café era bem diferente daquele vendido no supermercado. Mais doce, menos amargo, com notas sensoriais incríveis. Desde este dia, começamos a investir em grãos especiais vendidos em algumas lojas de outras cidades, além de um moedor de café e em dois métodos de extração, a Hario V60 e a prensa francesa”, comenta a professora de inglês Mariana Batagin.

Para Vivian Reis, ser barista é um aprendizado diário

Outro que não bebia café era o barista Allan Kennedy Santos. Foi somente quando ele começou a trabalhar em uma cafeteria especializada em cafés especiais que ele percebeu que a bebida poderia ser bem diferente das vendidas em supermercado. “Tem um ano e meio que eu trabalho com cafés especiais e estou me especializando na torra do grão, mas antes de vir trabalhar aqui eu não bebia café. Eu bebia chá por achar estranho o café vendido no mercado”, lembra.

A barista Vivian Reis explica que os cafés especiais proporcionam ao consumidor experiências muito diferentes dos cafés tradicionais. Isso porque, a depender do tipo, da torra ou até mesmo a forma como a bebida é extraída, há mudanças em seu sabor e aroma. “Uma das coisas mais legais do café são as variações de características que eles possuem. Para mim essa é a melhor coisa, porque você pode escolher beber um café que possui notas cítricas, de leite, chocolate ou avelã. Isso é incrível!”, comenta.

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