Jogos eletrônicos: de diversão à competição


O esporte é sério e atrai cada vez mais apaixonados por gamers, inclusive mulheres. Há Confederação Brasileira e Federação Estadual fomentando os torneios.

Já passou do tempo em que jogos eletrônicos eram apenas brincadeiras, hoje são considerados esporte e há pessoas competindo a nível nacional e até mesmo internacional. Existe a Confederação Brasileira de Esportes Eletrônicos (CBEE), que é responsável por supervisionar e fiscalizar os esportes eletrônicos no país. Em Sergipe, existe a Federação do Estado de Sergipe de Esporte Eletrônico (FESEEE), que foi criada com o intuito de fomentar e organizar o e-sports (esportes eletrônicos) no estado, visando incentivar instituições privadas a realizar campeonatos, ampliando as possibilidades do atleta em evoluir.

Presidente da FESEEE, Danilo Tavares. Foto: arquivo pessoal

“Desde 1 de fevereiro de 2016 buscamos conhecer e estudar como era praticado e como estava o cenário local do e-sports conversando com instituições e empresas. Hoje temos uma parceria com uma universidade particular que está nos ajudando no campeonato estadual, com todo apoio estrutural. Estamos trabalhando também junto com uma arena de jogos, que apoia o estadual, em que está disponibilizando as máquinas. Estamos hoje projetando um futuro melhor para o calendário de 2019 com a criação de uma liga. Vamos ter o estadual no primeiro semestre e a liga da arena no segundo semestre”, informa o presidente da FESEEE, Danilo Tavares.

De acordo com o presidente, as quatro primeiras federações foram criadas nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Sergipe, em que nasceram para organizar e ampliar o e-sports no Brasil. Segundo ele, ficava muito restrito aos eventos principais organizados pelas principais empresas detentoras dos direitos das franquias (os jogos).
“Conseguimos renascer a CBEE, que estava focada em um único tipo de jogo, mas que hoje ampliamos e já somos seis federações”, relata.

INCENTIVOS
Diferente de outros torneios esportivos, os de jogos eletrônicos não recebem nenhum incentivo do Governo Estadual e Federal. A CBEE já está sendo oficializada pelo Ministério do Esporte e provavelmente, a partir de 2019, há a possibilidade de ter algum tipo de incentivo federal.

“Incentivo privado de forma direta ainda não temos nenhum. O nosso trabalho vem sendo mostrar as empresas que há um retorno, que vale a pena investir no e-sports, apresentando o nosso projeto, mostrando dados daqui do Brasil e dos grandes polos hoje do e-sports”, explica Danilo Tavares.

ATLETAS
Os amantes pelo esporte formam grupos e participam juntos de campeonatos. O estudante Leandro Bomfim formou o TauruS, grupo bicampeão estadual, composto por sete jogadores, sendo cinco titulares, dois reservas, além de possuir um técnico. “Competimos apenas no League of Legends, por ser um jogo com campeonatos mais frequentes e um público melhor de lidar. Contamos com apenas um patrocinador hoje em dia que é a feira de games do estado de Sergipe. Alguns empresários ainda tem uma certa desconfiança com o cenário e acham que não terá retorno, quando na verdade o mercado de jogos cresce mais que o mercado de filmes”, declara o jovem.

Grupo bicampeão estadual que está no Instagram como @taurusesports_. Foto: arquivo pessoal

O arquiteto Thiago Merces é ex-jogador e conquistou títulos importantes durante o tempo das competições. Ele foi eleito um dos melhores jogadores do país, no jogo chamado Combat Arms, após ter ganho o campeonato regional em 2010. “Após vencer, dois anos depois viajei para São Paulo para um brasileiro, que mesmo tendo poucos participantes foi importante. Mas após isso fui começando a ser cobrado pelos pais em relação a estudos e diminui a frequência de horas no computador, focando em outros esportes, mas sempre ligado. Eu tinha patrocínio de uma loja de periféricos, era muito bom. Você acabava ganhando equipamentos para divulgar e acabava vendendo, isso já era uma renda. Com o crescimento e investimento de empresários, além da visibilidade da imprensa, o e-sports está se tornando cada vez mais real e muito mais aceitável. É sem dúvidas um esporte como outro qualquer e com campeonatos com premiações que pagam muito bem. Sem contar com inscrição que é muito barata”, destaca.

Campeão estadual, Thiago Merces. Foto: arquivo pessoal

REPRESENTAÇÃO FEMININA
As mulheres estão cada vez mais interessadas pelos jogos eletrônicos e começando a lutar pelo espaço neste cenário. Porém, no país, há poucos campeonatos com a participação feminina. No mês de março, devido ao dia Internacional da mulher, existem campeonatos só para este público no intuito de incentivar a participação delas no e-sports. Em Sergipe existe um único grupo com a presença de oito mulheres chamado Caçadoras de Minions.

Time Caçadoras de Minions. Foto: arquivo pessoal

“Temos muito apoio pela iniciativa, tanto de homens quanto de mulheres. Temos dois patrocinadores, a Feira de Jogos do Estado de Sergipe que tem nos ajudado muito na questão financeira mesmo para compra de camisas, pagamento dos campeonatos, entre outros. E contamos com o apoio de um estabelecimento, um bar gamer, que nos ajuda também. Faz pouco tempo que um homem entrou no time também, porque além da representação feminina queremos promover igualdade de gênero também”, diz a geógrafa e representante do grupo Giovanna Matos.

Anterior Tetê Nahas comemora estreia da nova temporada de musical
Próximo Cadê o dinheiro Edvaldo?