Descaso com segurança nos postos de saúde de Aracaju


Secretaria decidiu retirar vigilância privada de 35 Unidades Básicas de Saúde de Aracaju

Postos de saúde ficam sem vigilantes fixos; servidores e usuários se sentem inseguros com a decisão da Secretaria de Saúde. Por decisão da SMS, apenas nove Unidades Básicas de Saúde continuarão com os vigilantes

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Aracaju, em parceria com a Guarda Municipal, decidiu retirar a vigilância privada de 35 Unidades Básicas de Saúde (UBS), e mantê-la apenas em nove unidades, além dos hospitais municipais Fernando Franco e Nestor Piva, nos Caps Liberdade, Primavera, Jael Patrício e Ivone Lara; no canteiro de obras da maternidade do 17 de Março; no Cemar Siqueira Campos; na sede da SMS e no galpão da Logística.

Segundo a SMS, no lugar dos vigilantes, que ficavam nos postos durante todo o período de atendimento ao público, desde a última quinta-feira (02) está sendo utilizado um sistema de videomonitoramento.

Por meio de nota, a secretária de Saúde do município, Waneska Barboza, argumentou que este sistema permitirá que os guardas municipais façam o monitoramento 24 horas por dia através das câmeras instaladas nos prédios, trazendo uma maior segurança para os usuários e servidores.

“Nós optamos por este sistema porque traz uma maior segurança para os usuários das unidades, bem como para os servidores e para o patrimônio, que são os materiais e equipamentos. Este sistema é eficiente, pois os guardas municipais estão de olho 24 horas por dia nas câmeras instaladas nos prédios, através da central de monitoramento”, explicou.

Segundo a Secretaria, foram mantidos os vigilantes da empresa privada apenas nas unidades que distribuem medicamentos psicotrópicos (Anália Pina, no Santos Dumont; Dona Sinhazinha, no Grageru; Francisco Fonseca, no 18 do Forte; Geraldo Magela, no Orlando Dantas e Marx de Carvalho, no Ponto Novo), e as que possuem um tempo maior de resposta das viaturas da GMA (José Machado de Souza, no Santo Dumont, Irmã Caridade, no Jabutiana, Celso Daniel e Osvaldo Leite, no Santa Maria).

SENSAÇÃO DE FALTA DE SEGURANÇA

Dr. João Augusto Alves, presidente do Sindmed/SE

O levantamento feito pela GMA aponta um tempo médio de 10 a 15 minutos para a chegada de equipes da Guarda nestas unidades. O serviço que começou a funcionar na véspera do feriado de Finados, já preocupa muitos usuários da rede municipal de saúde.

Isso porque, segundo o próprio “Manual do Vigilante”, criado pela Polícia Federal, “a atuação do vigilante patrimonial, em todo e qualquer estabelecimento, tem caráter preventivo de modo a coibir ações criminosas pela sua própria presença reconhecida pelo uso de uniforme”.

Já no primeiro dia de implementação do serviço de videomonitoramento, as duas unidades de saúde do bairro Bugio só funcionaram no período da tarde, mas mesmo assim, funcionários e usuários estavam apreensivos pela ausência dos vigilantes.

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), Dr. João Augusto Alves de Oliveira, a categoria ainda não se debruçou sobre essa problemática e nem a Prefeitura de Aracaju nem a Secretaria de Saúde se reúne com eles por causa da greve que já dura mais de 100 dias. No entanto, grande parte dos profissionais da rede municipal se dizem apreensivos para voltarem às UBS, quando a greve acabar, sem vigilantes fixos.

O presidente do sindicato lembra que desde 2017 havia uma discussão com os sindicatos onde estava sendo solicitada pelos servidores um reforço maior na segurança. “Porém as reuniões deixaram de acontecer e veio de forma unilateral essa decisão totalmente na contramão e sem nenhuma discussão. A prefeitura pelo visto só está indo pela linha de diminuir gastos que repercutem nos servidores porém em relação a CCs a folha de gastos só aumenta”, comenta.

VIDEOMONITORAMENTO

O planejamento é que todas as UBS, escolas, Fundats e secretarias sejam monitorados remotamente pelo sistema, segundo a GMA

Segundo a Guarda Municipal de Aracaju (GMA), um estudo realizado pelo setor de inteligência da Guarda determinou quais unidades continuariam com os vigilantes da empresa privada e o videomonitoramento, levando em consideração os índices de criminalidade da região e da própria unidade.

“O estudo realizado pelo nosso setor de Inteligência determinou em quais locais as câmeras deveriam ser instaladas e quais unidades ainda precisariam do sistema de vigilantes, levando-se em consideração a mancha criminal da localidade, da própria unidade entre outros”, explica a assessoria de comunicação da GMA.

Ainda segundo a GMA, o monitoramento das 700 câmeras instaladas nas UBS e UPAs da capital será feito por três pessoas que ficarão diariamente na central, além dos operadores da empresa e os guardiões de 18 viaturas que circulam diariamente pela capital.

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