Gás Veicular de Sergipe é um dos mais caros do Brasil


Aumento absurdo do GNV. Foto: arquivo CINFORM/Mário Sousa

Contrariando a Lei da Transparência, SERGAS e a PETROBRAS escondem a planilha,
como afirma o SINDPESE.

O Gás Natural Veicular (GNV) emite cerca de 20% menos gás carbônico (CO2) na natureza, quando comparado com a gasolina e óleo diesel. Porém, ele só faz aumentar em Sergipe, de três em três meses. Este último aumento foi de 10,08%, na última quinta-feira, 01 de novembro, divulgado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Sergipe (SINDPESE). Além dos revendedores, os mais prejudicados são os motoristas, que dependem do combustível muitas vezes para trabalhar.

De acordo com o secretário executivo do SINDPESE, Maurício Cotrim, os reajustes vêm acumulando aumentos na ordem de 31,37%. Mas, veja-se que, nos últimos 12 meses, o IPCA/IBGE foi de 2,86%, ou seja, houve flagrante empobrecimento do consumidor. Questionado sobre o motivo de ocorrer o reajuste a cada três meses, o secretário explica que faz parte do contrato de concessão por parte da SERGAS, que é a concessionária com a supridora PETROBRAS, e que garante reajuste nas tarifas a cada três meses.

“Como existe um contrato de confidencialidade onde a SERGAS e a PETROBRAS não apresentam esses cálculos, a AGRESE, que é a agência reguladora, é quem dá a anuência para esses aumentos. O SINDPESE tem questionado para que sejam apresentados esses cálculos e possamos entender a composição desses reajustes”, explica.

A população fica imaginando que só estavam deixando passar as eleições para governador do estado para que a SERGAS impusesse mais um aumento escorchante sobre o preço do gás veicular em Sergipe, transformando-o, se não no mais caro, pelo menos em um dos três mais caros do país.

É impressionante viajar para qualquer estado do Brasil e verificar que Sergipe se destaca entre os primeiros lugares entre os estados que vendem o GLP mais caro do país. Pelo Nordeste, o preço sergipano é disparado o mais alto: A lista, entretanto, não computa os dados do Piauí e do Maranhão. Confira: Paraíba C$ 3,19; Rio Grande do Norte C$3,18; Ceará C$ 3,18; Alagoas C$2,95; Bahia C$2,75 e Pernambuco C$2,59. Sergipe: R$3,39!

O reajuste acontece a cada três meses. Foto: arquivo CINFORM/D’Rodrigues

De acordo com o site nos postos de São Paulo, o GNV concorre atualmente com o etanol, o mais barato entre os combustíveis. Pela pesquisa da ANP, o metro cúbico do gás está a R$ 2,843, o litro do álcool hidratado custa R$ 2,749. Aliás, em breve o Cinform vai fazer uma pesquisa para saber por que o álcool em Sergipe é também um dos mais caros do Brasil.

IMPACTO

Como dito acima, os mais prejudicados são os motoristas. O taxista Márcio Mendonça está pensando em mudar o GNV pelo álcool, pois este sairá mais em conta. “Um absurdo, sem condições para trabalhar com esse valor. O GNV em relação aos outros combustíveis seu rendimento em quilômetros rodados é maior. Estou pensando em trabalhar com o álcool, porque o valor está um pouco abaixo. Hoje, pela cooperativa, o álcool custa R$3,05. O GNV roda em média 10 a 11 km por cada metro cúbico e o álcool em média 8 km por litro. Alguns colegas que estão trocando os carros já estão pensando seriamente em não adquirir o kit de gás por causa dos valores que vêm aumentando, tanto do kit como do próprio GNV”, declara o taxista.

A reportagem CINFORM tentou entrar em contato com a SERGAS, mas não obteve retorno dos responsáveis. O e-mail para prestar esclarecimentos é o redacao@cinform.com.br.

 

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