CINFORM flagra ave morta no zoológico de Aracaju


Maracanã-verdadeira morta encontrada pela equipe de reportagem do CINFORM. Foto: Vieira Neto

Além dos animais em situações precárias, no portal da transparência do órgão responsável pelo parque não informa detalhes sobre a verba destinada ao local, especificamente no zoo

O leão está definhando e sozinho. Foto: Vieira Neto

O zoológico de Aracaju, localizado no Parque Governador José Rollemberg Leite, mais conhecido como Parque da cidade – APA do Morro do Urubu, se encontra em situação precária, segundo denúncias. Faltam recursos humanos e materiais, o que piora as condições de vida dos animais. O leão, por exemplo, está definhando e solitário. A reportagem do CINFORM esteve no local nesta quinta-feira, 8, a fim de averiguar a situação e ao chegar em uma das gaiolas das aves, avistou a espécie maracanã-verdadeira sem vida.

O Parque é administrado pela Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), que tem por finalidade trabalhar ações para o desenvolvimento da agricultura no estado, o que não tem nada a ver com a questão animal. No Portal da Transparência da empresa pública não informa detalhes sobre a verba destinada ao parque, especificamente no zoológico.

De acordo com a vereadora de Aracaju e eleita deputada estadual, Kitty Lima, os portais da transparência não são tão transparentes. Segundo ela, houve acesso apenas ao detalhamento das despesas de 2016 e não consta verba específica para o Zoológico. Kitty informa que a falta de verba é uma realidade que já dura bastante tempo, desde as primeiras denúncias que já tem décadas, a justificativa sempre foi a falta de recursos.

As aves clamam por liberdade. Foto: Vieira Neto

“É necessário que nós repensemos qual a utilidade de um zoológico, qual a sua finalidade. Ter um espaço apenas para exposição de animais fora de seu habitat natural não é uma finalidade válida, pelo contrário, é um objetivo cruel. Não podemos tratar os animais como se fossem peças em exposição no museu, eles não são objetos. A maior irregularidade está na lógica da existência de um zoológico e como se bastasse o espaço é completamente desestruturado, faltam recursos humanos e materiais, o que piora as condições de vida dos animais que ali estão. Não ensinaremos as crianças que devemos respeitar os animais expondo-os maltratados em gaiolas”, declara.

As espécies sofrem enjauladas. Foto: V

A vereadora denuncia ainda não só a situação do leão como dos outros animais do zoológico. “Não só o leão, mais muitos outros animais podem morrer por desassistência. É importante lembrar do caso da onça que estava com a mandíbula quebrada e nem raio x tinha sido feito, até que pouco tempo depois ela veio a óbito. E quando se aponta a desassistência o órgão justifica a falta de recursos, então por qual motivo insistir em manter de forma precária um local que não contribui para a sociedade e só maltrata os animais. A necessidade do leão no último parecer técnico era que ele sofria de stress por falta de uma companheira, tendo em vista que o recomendado é que os animais tenham algum convívio com animais de sua mesma espécie. Por isso, está sendo levantada a hipótese de que se traga mais um animal, mas não há estrutura alguma para acolher mais esse animal. O zoológico sequer dispõe de um veículo próprio para fazer o transporte adequado desses animais. Não estou falando isso por achismo, essas informações podem ser todas confirmadas na última Ação Civil Pública impetrada pelo Ministério Público, são várias fiscalizações de órgãos ambientais que pontam várias irregularidades”, denuncia.

Há espécies de todo o tipo no zoológico. Foto: Vieira Neto

Questionada sobre quais suas reivindicações sobre o caso enquanto parlamentar, Kitty declara que tem como proposta a luta pela criação de criação do Centro de Triagem de Animais Silvestres, com capacidade de reabilitar animais resgatados vítimas de maus tratos ou objeto de tráfico e venda ilegal. Segundo ela, os órgãos ambientais têm feito importante trabalho efetuando diversas apreensões e um espaço que reabilite esses animais silvestres é ideal para a continuidade desse trabalho. “Sei que essa mudança não depende de mim, a mim cabe continuar fazendo as reclamações e propondo alternativas, se isso se concretizará dependerá da vontade política dos gestores públicos envolvidos”, conclui.

Há um restaurante abandonado no zoológico. Foto: Vieira Neto

EMDAGRO

A equipe de reportagem do CINFORM entrou em contato com a Emdagro e por telefone esclareceu alguns pontos das denúncias. Sobre o portal da transparência, foi informado que implantaram um novo site da empresa na semana passada, assumindo que ainda faltam algumas informações a serem colocadas nele. A respeito dos recursos, a empresa informa que as verbas são separadas e o Parque da Cidade tem verba própria, inclusive prevista no orçamento. Quanto ao Leão, segundo a empresa, por não ser do bioma brasileiro, ele sente muito quando chegamos nessa época de calor, perde peso e fica abatido, mas todos os cuidados, inclusive dieta, são tomados para que ele não sofra tanto. Já a respeito da ave morta, foi informado que entraram em contato com o coordenador do parque, que também é veterinário, o qual informou que a ave teve um mal súbito, mas não morreu e está sendo avaliada.

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