“OAB passa por situação dramática”, critica candidato à presidente, Carlos Augusto Monteiro


Eleição será realizada hoje em seis cidades; 3 candidatos na disputa

O CINFORM encerra a série de entrevistas com os candidatos à presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe. A eleição será realizada hoje, das 10 às 18h na sede em Aracaju e também em Itabaiana, Estância, Lagarto, Nossa Senhora da Glória e Propriá. Três candidatos estão na disputa, são eles: Carlos Augusto Monteiro Nascimento (Chapa 1), Arnaldo Machado (Chapa 2) e Inácio Kraus (Chapa 3). Quem vencer vai assumir a cadeira ocupada hoje por Henri Clay, de 2019 a 2021. O último entrevistado é Carlos Augusto Monteiro.

Carlos Augusto Monteiro é carioca, tem 55 anos de idade e 32 anos de advocacia. Formado pela Faculdades Integradas Augusto Motta FINAM Rio de Janeiro. Casado com a servidora pública federal Ana Karla Bispo Carvalho Monteiro Nascimento, tem dois filhos: Rodrigo Lima Nascimento e Heitor Carvalho Monteiro Nascimento. É ex-Conselheiro Federal, diretor-tesoureiro e Conselheiro Seccional da OAB/SE e presidiu a Ordem em dois mandatos emendados – de 2009 a 2015.

Confira a entrevista
CINFORM – O senhor já foi presidente da OAB durante dois mandatos. Por que decidiu ser candidato mais uma vez?
CA – A minha candidatura é uma vontade coletiva. É a construção coletiva de 82 pessoas, advogados mais experientes, mais jovens, advocacia pública, privada, do interior, em busca de dias melhores para a advocacia, para a instituição. O atual momento que a advocacia e a OAB vivem é dramático, de ferimento de prerrogativas, de alvitamento de honorários, e portanto precisamos retomar a valorização, respeito e credibilidade da nossa profissão e da nossa instituição. Presidi a Ordem em dois mandatos consecutivos e nunca tive a pretensão de retornar como presidente. Entretanto, coloquei o meu nome à disposição – juntamente com Rose Morais – não como parte de um projeto pessoal, mas como a representação do desejo de advogados e advogadas, jovens e mais experientes, que não se sentem mais representados pela Ordem enquanto entidade de classe. Fomos a única gestão eleita em chapa única na história da OAB Sergipe, com 85% de aprovação em pesquisa, sendo considerada a 5ª melhor seccional em grau de satisfação pelos advogados. O momento que vivemos hoje é crítico. A Ordem precisa ser a voz da sociedade civil organizada e isso vem sendo esquecido.

CINFORM – Como as prerrogativas dos advogados serão defendidas na sua gestão?
CA – O modelo da gestão atual já está ultrapassado. Basta dizer que nos últimos três anos nós tivemos mais de 3 mil advogados ingressando nos quadros da Ordem. Nos próximos anos teremos entre 4 e 5 mil novos ingressantes, então não podemos mais hoje ter um modelo como este, voluntário, em que os advogados deixam seus escritórios para atenderem aos colegas. A defesa das prerrogativas é uma das missões mais importantes da Ordem e deve ser exercida com eficiência e destemor. É por isso que temos como proposta a instituição uma procuradoria profissionalizada, com procuradores contratados pela seccional realizando atendimentos presenciais, bem como atos judiciais e extrajudiciais na defesa dos advogados e advogadas de todas as comarcas do estado. Faremos desagravos públicos em conformidade com o estatuto e adoção de providências legais e /ou administrativas contra o ofensor e em nossa plataforma de campanha, propomos, ainda, a elaboração de uma cartilha de bolso, destacando as prerrogativas profissionais.

CINFORM -Quais são as suas principais propostas?
CA – A Procuradoria das Prerrogativas é um ponto chave nas nossas propostas. Temos também um projeto para valorização dos advogados dativos, através de um projeto de uniformização de critérios para o credenciamento e valorização dos honorários advocatícios. Queremos fazer uma gestão que devolva à OAB a respeitabilidade junto aos tribunais, a altivez, a transparência e a coragem para lutar pelas causas da advocacia. Uma das nossas principais bandeiras é o retorno de uma Ordem transparente. Se eleitos, nossa primeira medida será o retorno e a ampliação do Portal da Transparência, para que a advocacia e a sociedade tenham acesso às informações administrativas e financeiras da instituição, que por seu caráter e conduta histórica, não pode se furtar de prestar esclarecimentos, de ser transparente. A OAB tem que dar o exemplo. Dentre as nossas propostas para o interior do estado, destaco a criação de sedes Estância, Propriá e Glória, a transformação das Comissões Regionais em Subseções, o retorno do Colégio de Presidentes entre as Comissões Regionais/Subseções, dando empoderamento, valorizando e descentralizando o poder concentrado aqui em Aracaju para o interior do estado. Vamos retornar o curso de formação do jovem advogado que foi excluído na atual gestão. Quanto à Caixa de Assistência, pretendemos dinamizar ainda mais os serviços e o esporte como espaço de integração para a advocacia. Temos também a criação do transporte interfóruns. Queremos mais representatividade para a mulher advogada, com a participação efetiva delas na representação da Ordem, um calendário permanente da Conferência Estadual da Mulher Advogada e instalação de sala de amamentação em todas as sedes de regionais da OAB. Pretendemos também continuar com a missão de fortalecimento da Escola Superior de Advocacia (ESA).

CINFORM – O Forró da Advocacia e a Corrida dos Advogados serão mantidos?
CA – Claro. É um momento de integração e entendemos que os eventos da Ordem precisam ser cada vez mais inclusivos. A Ordem, no período de nossa gestão, abriu valor diferenciado para advogados e não advogados, ampliávamos para toda a sociedade, todos participavam dos nossos eventos e as festas eram superavitárias porque nós trazíamos atrações atrativas para todos. Mas na atual gestão, isso não vem efetivamente acontecendo. Queremos que os eventos da Ordem retomem o seu protagonismo, trazendo de volta toda a advocacia, a comunidade jurídica em geral e a sociedade civil, que abraça as causas e os eventos da OAB.

Previous O poder feminino à frente dos negócios
Next DENÚNCIA - Festas em Aracaju: destino, Curitiba?