Transporte público: qualificação é o segredo das boas relações


Os profissionais do transporte público influenciam positivamente na vida dos passageiros. Fotos: Vieira Neto

Profissionais do transporte público transformam a vida dos passageiros para melhor graças ao treinamento que recebem das suas empresas e do SEST SENAT

Os motoristas e cobradores lidam com todos os tipos de pessoas diariamente, como trabalhadores, estudantes, donas de casa, turistas, entre outros.  No intuito de garantir melhor qualidade de vida dos passageiros durante o percurso, os profissionais do transporte público dão o máximo de assistência e cuidado para que a viagem seja tranquila e menos estressante. Para isso, estes profissionais recebem treinamentos através das suas empresas, assim como do Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem (SEST SENAT).

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), Alberto Almeida, explica como funciona o processo de qualificação destes profissionais. “Existem dois caminhos de treinamento realizados através das empresas, com sua equipe de Recursos Humanos, em que tratam da parte operacional, qualificação do profissional e atendimento ao cliente. E existe a qualificação através do SEST SENAT que presta também estes benefícios para as empresas, atendendo todos os funcionários, garantindo segurança na condução dos passageiros”, explica.

A qualificação dita acima é ofertada através da Escola de Motoristas Profissionais, em que, gratuitamente os trabalhadores do transporte estudam temas como visão sistêmica do setor de transporte, condução segura e econômica, transporte de pessoas com deficiência, relacionamento interpessoal e ética no trabalho, procedimento de engate e desengate de semirreboque e análise e leitura de tacógrafo. Porém, é preciso que a empresa onde os profissionais trabalham contribua para o SEST SENAT.

TRANSFORMAÇÕES

Jonathan Menezes é motorista há nove anos

Motorista de ônibus há nove anos, Jonathan Menezes sempre recebe seus passageiros com um sorriso no rosto que contagia até mesmo aqueles que não estão em um dia bom. Mas como o seu papel é garantir segurança, ele tenta ao máximo conversar menos, e prestar mais atenção no trânsito. “Eu sou sempre educado com as pessoas, dou bom dia. Elas pedem informações, eu respondo, mas de olho no trânsito. Acaba criando uma relação de amizade e isso para mim é gratificante”, afirma.

A cobradora Isabela
Silva trabalha na
função há três anos

A cobradora, Isabela Silva, trabalha na função há três anos. O seu contato é mais direto com o público. Muitas pessoas falam com ela e compartilham suas vidas, veem nela uma psicóloga e confidente. “Ser cobradora em transporte coletivo é simplesmente se tornar um psicólogo, amigo, conselheiro, confidente. Acaba criando um laço. Lidamos com diversos tipos de pessoas, de todos os gêneros, raça. Temos que ter jogo de cintura e acima de tudo respeito. É muito comum o desabafo entre os passageiros, a maioria, especialmente mulheres, acho que por eu ser mulher também, se sentem à vontade para falar a respeito dos seus esposos, filhos, sobre a correria do dia a dia, dificuldades financeiras e amorosas, e contam tudo com muitos detalhes. Quer queira quer não a gente se envolve e isso é muito prazeroso”, relata.

Ele sente saudades da época em que trabalhava como cobrador

O ex-cobrador, Klark Ribeiro de Andrade, trabalhou há quatro anos nesta função. Ele é conhecido na cidade por andar fantasiado de Superman. Durante o tempo em que trabalhava no transporte público para pagar sua faculdade, percebia que as pessoas estavam ali deprimidas, estressadas e sequer tiravam um riso frouxo. Klark decidiu então mudar o dia a dia dos passageiros trazendo atividades lúdicas dentro do ônibus. Ele levava violão, mesmo sem saber tocar só para fazer a festa. Em épocas comemorativas levava lembrancinhas para as pessoas. Na páscoa, por exemplo, levava orelhinhas de coelho e chocolates para os pequenos. Sem contar que sempre que podia se fantasiava de Superman.

Como cobrador levava atividades lúdicas para dentro do ônibus

“A minha história como Superman começou através de um homem que foi como um pai para mim. Ele me deu a oportunidade de trabalhar fazendo a alegria das pessoas. A primeira vez que botei a fantasia e vi inúmeras crianças correndo na minha direção para me abraçar e gritar: ‘olhem o Super-homem’, aquilo para mim decidiu o meu futuro. Pensei: é com isso que vou trabalhar, fazendo as pessoas sorrirem. Então decidi trazer isso para o meu trabalho. Aquele ambiente monótono se transformava em uma festa. Muita diversão e alegria tomavam conta do ônibus. Tenho muitas saudades. Saía de lá feliz, vendo o sorriso no rosto das pessoas, aquilo mudava meu dia”, declara.

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