Aracaju apresentou 16 casos de Calazar em 2018


Foram confirmados dezesseis casos de Leishmaniose Viceral, também conhecida como Calazar Canina, até novembro de 2018 na cidade de Aracaju, em um dos casos um idoso chegou a falecer. Segundo o Centro de Controle de Zoonoses de 1483 amostras de sangue coletadas em cachorro 303 foram positivas.

O supervisor do Programa Municipal de Controle a Leishmaniose Viceral, Wilson Oliveira, explica que há uma série de ações desenvolvidas quando há uma notificação e confirmação de casos humanos de leishmaniose viceral.

“As ações começam com uma visita a área onde a pessoa que adoeceu mora, após isso se delimita uma área de aproximadamente um raio de 500 metros. Primeiro nós coletamos os sangue dos animais na área para verificar se há algum infectado, uma vez que o parasita da doença circula no sangue do animal e é transmitido para o ser humano através do mosquito. Após a verificação nos animais, nós instalamos armadilhas para os mosquitos em horários determinados, já que ele tem hábitos noturnos. Comprovado que há mosquito e que há um cão infectado, nós realizamos a ação de educação e saúde que orientamos a população a manter os quintais limpos e uma quarta ação que é a aplicação de inseticida”, explica.

A gerente do Centro de Controle de Zoonoses de Aracaju, Marina Sena, explica que ao confirmar a leishmaniose viceral canina a indicação é o sacrifício do animal.

“A gente orienta a eutanásia, que é a orientação do Ministério da Saúde, porque a leishmaniose viceral canina não tem cura parasitológica, ele não vai ser curado. Há um tratamento que saiu recentemente que é com o medicamento Milteforan, mas ele não cura, apenas clinicamente, o animal continuará infectado com uma transmissibilidade menor. Esse cachorro precisa ter um acompanhamento veterinário a cada quatro meses porque pode voltar”, explica.

Wilson Oliveira destaca que a demora para descobrir a doença em humanos é um fator decisivo. “Como é uma doença negligenciada pelos governos, os médicos não tem interesse em se aprofundar na doença, então quando vêem confirmar a doença muitas vezes está avançada, existe cura para leishmaniose, mas não pode avançar muito”, destaca.

Segundo o supervisor Programa Municipal de Controle a Leishmaniose Viceral cerca de 90% dos bairros de Aracaju possuem o vetor da doença que são os  flebotomíneos. “No município de Aracaju hoje praticamente em todos os bairros existe o vetor da doença, desde 2007 e 2008 nós instalamos as armadilhas de mosquito e desde que começamos quase todos os bairros de Aracaju nós encontramos o mosquito que transmite o calazar”, destaca.

Medicina

A infectologista, Mariela Cometki, explica como a doença é transmitida. “A leishmaniose é uma zoonose, que é uma doença que tem como fonte de transmissão os animais. Então quando um cachorro está doente ou contaminado, mesmo que esteja sadio ele carrega em si o protosoario da leishmania, o mosquito picando ele e picando um humano é transmitida a leishmaniose”.

A doença pode levar o ser humano a óbito em certas idades segundo a infectologista. “É uma doença que cauda a toxicidade na medula óssea que é responsável pela produção de células do sangue, então você tem alteração dos glóbulos brancos, vermelhos e nas plaquetas, além do aumento do baço e do fígado. Na fase inicial da doença geralmente é identificada quando o paciente apresenta fraqueza, febre que não tem causa aparente e não melhora, quando é realizado um hemograma que a serie está alterada. A leishmaniose é muito grave nos extremos de idade, ela mata crianças e velhos até sem fazer diagnostico”, diz.

Mariela destaca que há tratamento para doença no SUS. “Existe tratamento e ele é todo disponibilizado pelo sistema único de saúde através de remédio, que hoje em dia são muito mais seguros, e o paciente ou fica internado ou vai aos hospitais todos os dias tomar o remédio e ir para casa. O Hospital Universitário hoje é referência em diagnostico e tratamento de leishmaniose”, informa.

Sem morte de cães

Nazaré Morais, presidente da Elan denuncia que o combate a leishmaniose acontece de forma errada. “Nós estamos em um momento de muita leishmaniose no estado. Na verdade o centro de zoonoses dizia que combatia a doença, mas na verdade fazia era incentivar, porque a política publica de combate a leishmania no Brasil é exatamente o contrario do que deveria ser. Você diz que está com calazar, é comprovado, daí o centro de zoonoses vai na sua região investigar, mas na verdade é para matar cachorro. Quem transmite o Salazar é o cachorro? E na hora que mata o cachorro o mosquito se suicida? Onde ele joga o cachorro morto, vira matéria orgânica podre, o mosquito mora em matéria orgânica”, diz.

Nazaré destaca que a planta cintronela é uma ótima prevenção da doença. “A planta que repele o calazar e outros mosquitos como o da dengue é a cintronela, quando o município quiser fazer uma prevenção, ele limpa o lixo orgânico e começa a dar muda de cintronela para a pessoa ter em casa com forma de repelir o inseto. Cheguei na sementeira e não há uma muda de cintronela”, destaca.

A equipe do Cinform entrou em contato com a Secretária do Meio Ambiente que é responsável pelo Horto Municipal sobre a falta de cintronela, segundo a assessoria de comunicação não houve solicitação desse tipo de muda especifico, havendo necessidade deve ser encaminhado um oficio solicitando, as mudas podem ser adquiridas na conversão de alguma multa ambiental.

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