Dezembro Vermelho: porque ainda é preciso falar sobre a AIDS


Apesar do avanço no tratamento e da melhora na qualidade de vida dos pacientes, a doença ainda não tem cura

Freddie Mercury, Cazuza, Renato Russo, o ator Charlie Sheen e até mesmo o lendário jogador de basquete Magic Johnson. Além de famosos, eles têm em comum o fato de terem sido diagnosticados como soro positivos. Ou seja, eles possuem o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da AIDS. Uma doença que apesar de ser falada há pelo menos 40 anos, ainda é rodeada de desinformação e preconceito.

Por isso, e devido ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS (1º de dezembro), o mês de dezembro foi escolhido para que as ações de conscientização sobre a importância da realização dos testes de HIV sejam intensificadas em todo o país. Segundo o gerente do Núcleo IST/AIDS e Hepatites Virais da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Almir Santana, durante o Dezembro Vermelho diversas ações são realizadas no estado para educar as pessoas sobre a doença.

“Neste mês, todo o Brasil se mobiliza para intensificar as ações de combate e prevenção à AIDS. Primeiro, estimulando as pessoas que não sabem a sua sorologia para que elas façam os testes. Além de fazermos a parte educativa, como palestras e rodas de conversa sobre o assunto, em escolas e empresas”, explica.

Almir Santana, gerente do Núcleo IST/AIDS da SES

HIV e AIDS

Segundo dados da SES, entre 1987 e 2018, 4.872 casos de AIDS foram registrados no Estado e outros 1.987 casos de HIV foram diagnosticados no mesmo período. Almir Santana comenta que hoje há uma média de 300 diagnósticos por ano no Estado, mas isso se dá, principalmente, porque mais pessoas estão fazendo os testes de HIV. “A medida que nós oferecemos mais o teste, a gente acaba descobrindo mais casos da doença”, explica.

Ainda segundo o gerente do Núcleo IST/AIDS da SES, a epidemia do HIV é dinâmica e hoje tem um número cada vez maior de vítimas com idades entre 20 a 39 anos. Porém é importante que se entenda a diferença entre o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

“Soro positiva é a pessoa que tem o HIV, mas não tem os sintomas da doença, ou seja, ele tem apenas a infecção. No entanto, apesar de não ter nenhuma manifestação clínica, ela pode transmitir o vírus para outra pessoa, caso não esteja fazendo o tratamento ou faça sexo sem camisinha. Já quando falamos que uma pessoa tem AIDS, isso quer dizer que ela tem o vírus e as manifestações clínicas da doença, como febre e/ou diarreia a mais de dois meses, entre outras”, explica Almir Santana.

TRATAMENTO, NÃO CURA

Apesar dos inúmeros estudos sobre a AIDS, ainda não há nenhuma cura para a doença. Apenas um tratamento que dura por toda a vida, mas que, graças aos avanços da medicina, hoje garantem uma qualidade de vida muito melhor do que os coquetéis de remédios que eram fornecidos quando a doença começou a ganhar destaque, nos anos de 1980. Uma vez que esses medicamentos bloqueiam a multiplicação do vírus.

As camisinhas são as últimas formas de prevenção da doença

O jornalista Saullo Hipólito descobriu há um ano e sete meses que possui o vírus HIV. “Eu estava de férias da faculdade e comecei a ter uma tosse muito forte e que não passava. Umas três semanas depois, eu estava com a garganta muito inflamada, continuava a tossir e tinha febre. Eu acabei indo para o interior ficar com a minha mãe e eu não melhorava, mesmo com os remédios. Foi aí que eu fui consultado por um médico cubano e ele solicitou o teste de HIV”, lembra.

No Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar), que é um centro de referência para todo o estado e fica localizado na Rua Bahia, em Aracaju, qualquer pessoa pode realizar testes de AIDS, Hepatite B e C, e Sífilis. Já as unidades básicas de saúde têm uma logística diferente, pacientes com indicação médica e gestantes podem realizar os testes rápidos nas próprias unidades.

Segundo Débora Oliveira, gerente de IST/HIV da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), no Cemar os pacientes diagnosticados como soro positivos recebem um atendimento médico multidisciplinar, com psicólogos, nutricionistas, entre outros profissionais. Saullo é um dos pacientes atendidos no Centro. Lá, ele passou a receber os medicamentos e acompanhamento médico adequado que fez com que hoje o vírus seja praticamente inexistente em seu organismo. “Hoje eu tomo dois comprimidos, além de fazer exercícios físicos regularmente, me alimentar de uma forma muito mais saudável. Antes eu comia só comia pão com queijo e hoje eu tenho um plano alimentar, passado por uma nutricionista”, comenta.

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