Emília Correia: “o número de votos que tive faz a minha responsabilidade aumentar na Câmara”


Vereadora teve quase 53 mil votos para o cargo de deputada federal, mas não se elegeu por causa da legenda

Em entrevista exclusiva ao CINFORM, a vereadora Emília Correia (PATRIOTA) falou sobre como os quase 53 mil votos que recebeu nas últimas eleições para o cargo de deputada federal influenciarão nos seus dois últimos anos de trabalho na Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Com a saída de Kitty Lima (PPS), que se elegeu como deputada estadual, a partir de 2019, Emília será a única vereadora mulher da Casa, e da oposição.

CINFORM: Vereadora, a partir do próximo ano, a senhora será a única vereadora da Casa. O que a Casa perde com essa pequena representatividade, uma vez que as mulheres são a maioria da população?

EMÍLIA CORREIA: A Câmara, em 2019, perde um pouco, pelo menos em termos de representatividade feminina, principalmente com a saída da vereadora Kitty Lima. Agora vou conduzir os trabalhos sozinha, meio como que em carreira solo. Mas eu acredito que as mulheres que eu vou estar representado naquele lugar terão uma representatividade séria, forte e destemida, como sempre foi. O número foi reduzido. Mas a qualidade de representar principalmente as mulheres, a gente não vai perder. Inclusive a nossa responsabilidade vai aumentar.

Alguns vereadores muito atuantes se elegeram para outros cargos e os seus suplentes assumirão a partir de 2019. Já houve uma conversa com eles sobre como eles irão se posicionar na Casa?

EC: Nós não conversamos com os suplentes que irão assumir o cargo de vereador em 2019, eu não sei como será, como eles irão se comportar. A gente espera que eles cheguem verdadeiramente para defender o povo. Porque nós estamos ali para representar toda a população aracajuana, então esse tem que ser o nosso objetivo. Eu espero que os novos vereadores venham para juntar forças, para defender os interesses da população, independentemente de partidos políticos.

No início de novembro deste ano a Prefeitura anunciou que a vigilância presencial seria retirada das unidades de saúde da capital e no lugar dela seriam instaladas câmeras de videomonitoramento. O que a senhora pensa dessa ação da gestão do prefeito Edvaldo Nogueira?

EC: Seria perfeito casar a vigilância eletrônica com a presença física de um vigilante, porque não tem sentido o monitoramento sem a presença física. Até que a Guarda chegue, não vai dar para resolver certas coisas. Por isso, nós pedimos um requerimento para saber os valores e gastos com relação ao monitoramento, porque não tem sentido passar para a população que há uma economia e uma eficiência. Eu acredito que não houve nenhuma, nem outra. Pelo contrário! Nós pedimos informações sobre este contrato, mas veio o recesso e não tivemos resposta. Em nenhum lugar, até na mesmo na casas destes políticos, quem sabe, só tem câmeras. Eles têm câmeras, vigias, cachorros, acesso automático a empresas de segurança que vão chegar rapidamente. E as pessoas nos postos de saúde ou em escolas não têm. Eu achei essa mais uma ação irresponsável, negativa, não explicada e sem transparência dessa gestão.

“Nem sempre uma economia é benéfica para o povo”
(Foto: Divulgação/Gilton Rosas)

A senhora teve quase 53 mil votos para o cargo de deputada federal nas últimas Eleições, mas não se elegeu. Como a senhora vê essa situação?

EC: A quantidade de votos que tive para deputada federal aumenta e muito a minha responsabilidade na Câmara. Só em Aracaju eu tive quase 35 mil votos, a mesma quantidade de votos que o Fábio Henrique teve e ele se elegeu. Então, veja como a legenda frustrou a vontade do povo. Esse número de votos em Aracaju mostra que o aracajuano aprova o meu trabalho e eu quero corresponder a esta confiança nos meus últimos dois anos de mandato.

O Patriota, assim como outros partidos, não conseguiu atingir o número mínimo de representantes e foi enquadrado na cláusula de barreira. Já há uma conversa no partido sobre o futuro? A senhora permanecerá no Patriota?

EC: Dentro do partido nós já temos uma conversa de fusão, mas nada foi definido ainda. As conversas já começaram e devem ser definidas no início do ano, até porque devemos ver como as coisas vão caminhar. Eu, particularmente, preciso estar em um partido que não se quebre os meus princípios e que me permita agir, lógico que dentro de um contexto partidário, mas com uma certa independência. Antes de definir se vou ficar no Patriota, preciso saber se ele vai ficar robusto. Já tive convites para outros partidos, mas só vou definir em 2019.

Nos últimos anos, as mulheres ganharam força na política e muitas foram eleitas para os mais diversos cargos políticos. Como a senhora vê o machismo na política e sociedade brasileiras, principalmente na Câmara Municipal de Aracaju?

EC: Eu fui atingida por colegas vereadores e por secretários pelo simples fato de ser mulher. Agora mesmo, durante a votação da Lei Orçamentária, o vereador Vinícius Porto falou que eu precisava de remédios e que deveriam chamar o Dr. Façanha. Esse tipo de coisa acontece porque quando um homem se perde um pouco e fala alto é porque ele é destemido e valente, mas quando é uma mulher, ela é chamada de desequilibrada. Eu passei por isso e chamo a atenção das mulheres, que inclusive represento na Câmara, porque elas passam por isso. Somos interrompidas enquanto falamos porque isso é da cultura deles, apesar de não admitirem. 


“Eu digo que sou a deputada federal do povo. Já que por causa da legenda, não fui eleita”
(Foto: Divulgação/Gilton Rosas)

Na última semana, O Ministério Público Estadual e a Polícia realizaram mais uma etapa da Operação Metástase, que investiga irregularidades no Hospital de Cirurgia – um dos objetos de CPI na Câmara – mas que teve diversas interrupções por causa da Situação. Como a senhora vê esse desenrolar?

EC: É uma vergonha para a Câmara, porque ela tem o dever de investigar as ações da Prefeitura, mas não quer fazer e ainda justifica de uma forma triste, dizendo que “(…) mas a Polícia e o Ministério Público já estão investigando”. Quanto mais investigação, melhor. Principalmente porque uma instituição ajuda a outra a limpar a sujeira. Eu fico triste quando vejo a Câmara se esquivar de cumprir com o seu dever de fiscalizar e investigar, porque CPI é para isso, não para condenar. Seja na CPI da Saúde ou na do Lixo, que até na Justiça foi parar.

Nas últimas Eleições políticos influentes e com história na política sergipana não conseguiram se reeleger ou se eleger para os cargos que almejavam. A senhora acredita que o eleitorado está mudando o pensamento e se conscientizando do seu papel como cidadão?

EC: Eu começo a ver que tem uma turma boa no eleitorado que já começou a enxergar que o voto não é um negócio de compra e venda. Eu peço a Deus que seja tirada a venda das pessoas e que elas percebam o porquê das coisas que elas passam, porque não tem medicamento ou médicos nos postos, porque não temos seguranças. Nós levamos décadas para chegar neste lamaçal, mas podemos levar menos tempo para sair dele. Nessas eleições a limpeza foi muito grande, mas poderia ter sido maior se a abstenção não tivesse sido tão alta, por exemplo. Talvez eu não veja essa mudança porque a nossa vida é muito curta, mas se eu plantar essa semente eu vou ficar muito feliz.

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