“Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”


Bolsonaro e Michelle em harmonia com a população (Fotos: Equipe de Transição/Política Real)

Prometendo reconduzir o país aos trilhos do crescimento econômico, desta feita com respeito às leis e aos costumes, Jair Messias Bolsonaro tomou posse ontem, em Brasília

EDVAR FREIRE

Jair Messias Bolsonaro venceu um duro pleito eleitoral, utilizando o slogan que dá título a esta matéria, que alguns “estudiosos” alegam, precipitadamente, sair de lavra do facínora Adolf Hitler, mas que, a bem da verdade, tem origem nas tragédias gregas, peças teatrais compostas há mais de 2000 anos, quando Hagamêmnon, um herói da destruição de Troia, escreve que “É necessário que o rei ponha a pátria acima de seus filhos”. Já na doutrina cristã, adequando o que registra o evangelho sinótico de Mateus 22:21, quando o texto sagrado separa Deus e pátria como faces de uma mesma moeda “Dai, pois, a Cesar o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Deslocando-se até ao Velho Testamento, livro dos Salmos 33:12, vê-se ali, também, uma origem religiosa para encontrar a orientação seguida por Bolsonaro, e nunca em uma cartilha nazista, como defendem alguns “intelectuais” de internet: “Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus, o povo que ele escolheu para lhe pertencer! 

População vibra com a aproximação do momento da posse

Depois de uma das campanhas mais acirradas dos últimos anos, em que sobraram agressões e desafios, o candidato mais alinhado com o pensamento de direita superou todos os obstáculos e venceu o pleito com mais 55% dos votos válidos.

Houve uma guinada da sociedade brasileira, cansada de tanta violência, corrupção e desmoralização da família, tentando encontrar uma saída para sua angústia, ansiedade que encontrou algumas respostas na robusta pregação independente do candidato militar eleito.

QUEM É O PRESIDENTE

Pesquisando na Wikipédia, descobre-se que Jair Messias Bolsonaro nasceu no pequeno município de Glicério, que possui, hoje, menos de cinco mil habitantes, no estado de São Paulo, em 21 de março de 1955. É um militar da reserva, político de carreira, o homem que acaba de ser eleito presidente do Brasil, com posse efetivada para hoje, primeiro dia de um novo ano.

Comunidade judaica participando das celebrações

Filiado ao Partido Social Liberal (PSL), foi deputado federal por sete mandatos entre 1991 e 2018, sendo eleito através de diferentes partidos ao longo de sua carreira. Seu irmão Renato Bolsonaro e três de seus filhos também são políticos: Carlos Bolsonaro (vereador do Rio de Janeiro pelo PSC), Flávio Bolsonaro (deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PSL e comandante da legenda no estado) e Eduardo Bolsonaro (ex-deputado federal por São Paulo também pelo PSL) e que acaba de ser eleito como o senador mais bem votado do Brasil.

Formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras em 1977, serviu nos grupos de artilharia de campanha e no grupo de elite que compõe o paraquedismo do Exército Brasileiro. Tornou-se conhecido do público em 1986, quando escreveu um artigo para a revista Veja no qual criticava salários de oficiais militares. Por causa disso, foi preso por quinze dias, apesar de ter recebido cartas de apoio de colegas do exército. Foi absolvido dois anos depois.

Bolsonaro ingressou na reserva em 1988, com o posto de capitão, para concorrer à Câmara Municipal do Rio de Janeiro naquele ano. Foi eleito vereador pelo Partido Democrata Cristão, partido que seria extinto em 1993. Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro. Foi o candidato mais votado, com apoio de 6% do eleitorado fluminense (464 mil votos), sendo reeleito por seis vezes. Durante seus 27 anos na Câmara dos Deputados, ficou conhecido por ter uma personalidade controversa, por conta de suas visões políticas geralmente caracterizadas como populistas e de extrema-direita, que incluem a simpatia pelo regime militar implantado em 1964, e a justificação de algumas práticas de tortura por aquele regime, que não admitia a instalação do comunismo alienígena no Brasil.

Tradição do desfile em carro aberto com o batalhão dos Dragões da Independência

O GRANDE DESAFIO

Bolsonaro foi anunciado como pré-candidato à Presidência do Brasil em março de 2016 pelo Partido Social Cristão. Em janeiro de 2018, no entanto, anunciou sua filiação ao Partido Social Liberal (PSL), o nono partido político de sua carreira desde que foi eleito vereador em 1988. Sua campanha presidencial foi lançada em agosto de 2018, com o general reformado Hamilton Mourão como seu vice na chapa.

Ele se apresenta como defensor dos valores familiares e tradicionais. Sofreu um grave atentado que, por pouco não lhe custou a vida,  durante ato de campanha, no dia 6 de setembro, no estado de Minas Gerais, quando recebeu um golpe de faca no abdômen. Em 7 de outubro, Bolsonaro ficou em primeiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais de 2018, com o candidato Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores (PT), em segundo.

Eleitores sobem na árvore para verem o presidente passar

Mesmo não sendo o preferido da grande mídia nacional, que tem um histórico de cooptação pelo regime que estiver no poder, Bolsonaro aproveitou como ninguém o espaço democrático das redes sociais para se popularizar com um discurso radical de combate à corrupção e ao abuso das tão propaladas políticas afirmativas.

Encarou com obstinação os fortes conglomerados econômicos que dominam a economia do país e ainda se utilizou de forte carisma para contornar uma grande parcela da Igreja Católica, fortemente ligada à política universalista de “opção pelos pobres”.

Foi eleito Presidente da República no segundo turno, em 28 de outubro, com 55,13% dos votos válidos, totalizando 57.797.847 (cinquenta e sete milhões, 797 mil e oitocentos e quarenta e sete votos). Uma vitória incontestável do descontentamento da população com o segmento político que comandava o país há cerca de 15 anos, e que levou o Estado à bancarrota.

O esforço coletivo para vislumbrar a passagem do “mito”

O QUE ESPERAR AGORA

Alguns comentaristas têm denominado a felicidade do povo como um “ufanismo passageiro”, claramente torcendo por um fracasso do novo presidente, mesmo que isso signifique uma tragédia para todos os brasileiros.

Quem conhece a história sabe que é exatamente esse o grande projeto da oposição no Brasil, essencialmente a formada pelo grupamento mais posicionado ao lado do acusado, julgado, condenado e preso por crime, mas, estranhamente, herói da hilária “revolução bolivariana” Lula da Silva.

Ufanismo significa orgulho pela pátria em que se vive. Os dicionaristas definem como “orgulho excessivo”. Ora, se um povo viveu por tantos anos sonhando com uma alternância no poder, nada é mais justo do que viver com euforia esses momentos de promessa de dias melhores, ainda que sabendo que os desafios são muito difíceis de superar.

Populares portando cartaz de apoio ao novo presidente

As reformas inadiáveis se impõem diante de um presidente que não possui maioria nas casas legislativas, o que coloca a necessidade de negociar em nome da temível governabilidade.

O que se pode ceder, e até que ponto ceder, desde a definição do número de ministérios até simples exonerações, remoções e nomeações dos perseguidos de cargos de comissão, sem comprometer negociações envolvendo grandes projetos de interesse nacional?

Como proceder diante de um quadro de parlamentares que se acostumaram a “mamar nas tetas do governo”, essa grande vaca leiteira que satisfaz a ganâncias de quantos deseje cooptar para os seus quadros?

O esforço da menina para conseguir o melhor ângulo

Questões como estas se colocam diante de um presidente que jamais ocupou cargo executivo, o que transparece como expressivo complicador na sua missão quase impossível de repor o Brasil nos trilhos.

O novo presidente vai precisar de excelentes assessores, tanto para as áreas técnicas quanto para as articulações políticas, uma vez que o Brasil precisa sair fortalecido desse atoleiro em que gestões equivocadas, ou mal-intencionadas, deixaram a economia ficar.

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