Pró-solução: empresas juniores em Sergipe


Da esquerda para a direita: Gustavo Mello (Presidente do Conselho), Sarah Raquel (Presidente Executiva) e Bruno Farias (vice-presidente de Comunicação) da Serjúnior. (Arquivo/Serjúnior)

Uma solução prática para a inserção de estudantes no mercado de trabalho

Logo que termina a sua tão sonhada graduação, quer seja o seu tecnólogo, bacharel ou licenciatura segue o recém-formado, inexperiente, mas agora com um diploma na mão, percebendo que a realidade de inserção no mercado de trabalho pode parecer assustadora! Ele se encontra como que em um círculo vicioso em meio ao dilema: “preciso de experiência para alcançar o meu primeiro emprego e de um emprego para conseguir experiência”.

Neste cenário de incertezas e experimentações, um leque cada vez maior de empresas vem buscando profissionais através de práticas até então menos convencionais, como reconhecer novos talentos que somam aos seus atuais quadros. Perfis de “profissionais 4.0” – aqueles que trazem soluções em perspectivas multidisciplinares – tomam a cena quando o assunto é Empresas Júnior.

Ambev, Bradesco, Caixa Econômica, Vivo, Souza Cruz, Boticário, Votorantim S.A., entre tantas outras, além de assumirem parcerias com o Movimento Empresas Júnior, preferem esses perfis na hora da contratação e da oportunidade.

Nesse modelo, estudantes universitários se envolvem em projetos de grupo, resultando em crescimento coletivo e reinvestimentos na própria ação. “Unir ambição pessoal com os objetivos da empresa júnior” parece ser a chave nessa relação empreendedora sem fins lucrativos, é o que revela Hugo Barreto, graduando de Ciência da Computação à frente da EJ SofTeam nos últimos dois anos como diretor presidente.

“Hugo Barreto foi presidente pelos últimos 2 anos da SofTeam e agora passou o bastão”. (Acervo pessoal)

“Um lugar administrado exclusivamente por alunos e que consegue oferecer experiências de gestão. Valores de empreendedorismo seguindo uma carta de serviços que liga os produtos e serviços produzidos ao conteúdo acadêmico do curso. Uma formação prática para o mercado e para os valores caros como responsabilidade e disciplina”, revela o estudante.

Hoje, no estado, há 29 empresas juniores estabelecidas. Segundo a presidente da Federação de Empresas Juniores de Sergipe (Serjúnior), Sarah Raquel Araújo, 10 estão federadas e 19 não estão. A federalização funciona como um resguardo de órgão de classe das EJs, representando, desenvolvendo e regulamentando as atividades de grupo.

A informação passada pela Federação é de que há empresas da modalidade EJ nos diversos municípios. As federalizadas encontram-se em Estância, Glória, Aracaju e, principalmente, em São Cristóvão. Entre elas, há a Projet (Aracaju), Sercivil (Estância) e Agrosertão (Glória), que fogem do polo concentrado na UFS Cidade Universitária.

O Cinform apurou o processo e destaca os pontos principais daquilo que é necessário saber sobre as EJs:

COMO COMEÇAR

A Federação Sergipana de Empresas Juniores (Serjúnior) oferece manuais e orientação para grupos de estudantes que desejem seguir com essa iniciativa. Eles têm site oficial http://serjunior.org.br e orientam até mesmo a como se tirar o CNPJ para a empresa.

SELEÇÃO

Dentro da cultura de uma Empresa Júnior pode haver mais de um processo seletivo por ano. Uma ação organizada em que a inscrição é livre para os estudantes do departamento e eles, de forma comum participam de uma entrevista, uma dinâmica e um processo de trainee – após o processo sai o resultado dos aprovados.

A entrevista não possui caráter eliminatório. Busca-se, na dinâmica, dar a oportunidade para os mais tímidos e menos articulados desenvolverem com mais calma os seus interesses e apresentar suas qualidades.

BONIFICAÇÕES

Pode haver um sistema de pontuação para o que é feito corretamente. A prática chamada de gamificação (do inglês: gamification) é muitas vezes adotada e produz um ambiente lúdico e competitivo em que os melhores resultados são premiados com livros, e-books e cursos, além de outros itens de caráter didático. Pode ser temático e avaliar ainda critérios como assiduidade e pontualidade.

“DEMISSÕES”

Assim como na bonificação, práticas negativas levam a consequências indesejadas. Como a não participação e o não cumprimento de funções. O membro é chamado para “conversar a situação” mais de uma vez antes de ser convidado a se retirar.

Em caso de recusa, uma assembleia deliberativa é convocada para que haja o corte do participante do quadro. O processo é desgastante, mas é garantido o direito de defesa.

COGESTÃO E ELEIÇÕES

O presidente em exercício prepara o seu sucessor, escolhido em plenária com todos os membros participantes – desde que aceito no processo seletivo da empresa júnior já é possível votar em um representante. Os candidatos ao cargo de chefia precisam ter no mínimo três meses de envolvimento com a empresa.

As eleições são regidas pelo estatuto da modalidade e da própria empresa. Decide-se aquele que será por até dois anos o presidente.

GESTÃO DA INFORMAÇÃO

O escolhido pode ter acesso a uma série de manuais e reaproveitar soluções antes utilizadas para resolver problemas. É papel da empresa gerar essas orientações que auxiliam na continuidade da gestão, na cultura da empresa e suas rotinas. Reuniões de diretores; reuniões entre diretores e gerentes; e reuniões entre gerentes e seus respectivos assessores, todos alunos, fazem parte desse convívio.

LEI DAS EJs

A lei da Empresa Júnior (13.267) surgiu em abril de 2016 e rege o chamado Movimento Empresa Júnior (MJ) no país. Cada universidade tem a sua própria resolução com base nessa lei para regulamentar suas EJs. Para uma empresa ser multidisciplinar de alunos deve oferecer serviços de todos os cursos dos participantes a ela vinculados.

O órgão máximo que rege as relações das EJs é a Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior).

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