“Ocupação Manoel de Barros” está em cartaz no Itaú Cultural


Manoel de Barros descansa na varanda de casa

Por Suyene Correia */redacao@cinform.com.br

Quem visitar São Paulo, até o dia 07 de abril, pode conferir no Itaú Cultural (localizado à Av. Paulista, 149), a “Ocupação Manoel de Barros” que homenageia o poeta mato-grossense, Manoel Wenceslau Leite de Barros, falecido em 2014. A mostra, que já teve como foco a produção artística de personalidades como Hilda Hilst, Antonio Candido, Paulo Leminski, Nelson Rodrigues, dedica-se, agora, ao poder de criação de Manoel de Barros.

No espaço reservado para a “Ocupação”, cuja expografia ficou sob a responsabilidade de Adriana Yazbek, é possível apreciar, por exemplo, alguns cadernos onde o poeta rascunhava sua obra. De tamanhos variados, os cadernos eram feitos pelo próprio escritor e compostos de material reutilizado. Manoel de Barros, que nasceu no Mato Grosso e viveu boa parte da vida no Mato Grosso do Sul, confeccionou e usou mais de 100 caderninhos de rascunho. Seis deles são exibidos de maneira completa e integralmente e outros esboços estão espalhados na mostra que leva o público a percorrer um caminho de letras e livros, dos pensamentos e desenvolvimento do processo criativo do poeta.

Chama a atenção do visitante que chega à entrada da exposição, um grande telão situado no centro do espaço expositivo, onde são projetadas poesias com diferentes tamanhos de letra. Os escritos são um convite de aproximação a este universo do poeta que vê o belo em caramujos e lesmas e escreve sobre o nada, “aprendimentos”, apanhadores de desperdícios ou o menino que carregava água na peneira, ou, ainda, sobre obrar, as grandezas do ínfimo e arranjos para assobio.

Além de seus rascunhos, o público encontra ainda primeiras edições das obras de Barros, autorretratos escritos, textos originais, fotos, caixinhas de lápis e de canetas. Tem, ainda, cinco quadros assinados por Martha Barros- artista visual, filha do poeta e detentora dos direitos autorais de sua obra-, que ilustraram capas dos livros do pai e alguns desenhos de linhas simples, rabiscados pelo poeta.

Desenhos feitos por Manoel de Barros para o livro “O Guardador de Águas”

A “Ocupação” completa-se com missivas do desenhista Millôr Fernandes, uma das personalidades que jogou luz sobre a sua obra nos anos de 1980, também dos escritores Mário de Andrade e Carlos Drummond e do chargista Henfil, entre outras, fotos, trechos de entrevistas e também audiovisuais.

No conjunto, esta ocupação é uma caminhada por palavras avoadas, transformadas em matéria e muitas texturas e mapeamentos afetivos. Pensado também como ferramenta de acessibilidade, poemas de sua autoria são ouvidos gravados na voz do escritor Marcelino Freire e da compositora e pesquisadora de cultura indígena Marlui Miranda. Ainda pensando na ampliação do acesso ao público, outros nichos apresentam vídeos com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Há de se elogiar a publicação (distribuída gratuitamente aos visitantes) eum hotsite elaborados pelo Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural. A primeira apresenta um conjunto de respostas anotadas pelo poeta para perguntas que lhe foram enviadas por jornalistas, ou não. Elas estão separadas por temas – autorretrato, criação, palavra, relação com a mídia, infância, modo de trabalho, natureza, referências, morte –, mostradas com a imagem original, manuscrita ou datilografada, e entremeadas por poemas. As interrogações ficam por conta da imaginação do leitor, já que não acompanham as respostas. As únicas que aparecem são as que foram as feitas por um grupo de crianças de 7 a 12 anos.

Já o hotsite (www.itaucultural.org.br) traz textos e depoimentos gravados sobre o homenageado. O escritor Mia Couto é autor de um dos escritos sobre o amigo. “Fala-se muito da capacidade de criação de neologismos do poeta do Pantanal. Creio que o seu mérito é bem mais do que a conquista do novo vocábulo”, escreve o moçambicano.

Há, ainda, textos da bióloga e amiga Clara Navarrete e do editor Luis Turiba, que escreveu como se estivesse conversando com o poeta. Entre os depoimentos gravados, encontram-se os da escritora e apresentadora Bianca Ramoneda, da atriz Cássia Kiss, do jornalista Carlos Savaget, de sua filha, Martha Barros, e do neto Felipe Barros de Escobar, além dos biólogos Hugo Aguilaniu, Nurit Bensusan, Bruss Lima, do Instituto Serrapilheira, no Rio de Janeiro.

A “Ocupação Manoel de Barros” pode ser visitada até o dia 7 de abril, de terça a sexta-feira, das 9 às 20h, e sábados, domingos e feriados, das 11 às 20h. Acesso gratuito.

*A repórter viajou a São Paulo e visitou a “Ocupação Manoel de Barros”

Crédito da Foto: Lucas Barros

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