ARTIGO: Aprofundando o autoconhecimento


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Por Edgar Ueda*

Muitas pessoas se definem como detalhistas demais, ou perfeccionistas, acreditando que isso seja uma de suas mais importantes qualidades. Entretanto, quem convive com elas pode estar insatisfeito com essa característica.

Outros se consideram sinceros demais, por acreditarem que falar sempre a verdade seja uma característica positiva. Contudo, o que as outras pessoas pensam mesmo é que eles são extremamente críticos e muitas vezes até mesmo chatos e inconvenientes.

Para resolver essas incongruências e melhorar seus relacionamentos, é preciso, antes de tudo, que você tenha um autoconhecimento profundo e realista e perceba como o seu modo de ser afeta as pessoas à sua volta. Afinal, ninguém vive sozinho no mundo, e cuidar dos nossos relacionamentos interpessoais é fundamental para tudo, inclusive e principalmente para o nosso sucesso.

Detalhando mais esse assunto, vamos falar de uma ferramenta importantíssima para o autoconhecimento e o aprimoramento dos relacionamentos interpessoais. Estamos falando da Janela de Johari – um modelo criado por dois psicólogos americanos, Joseph Luft e Harrington Ingham.

A Janela de Johari é uma representação das dinâmicas das relações interpessoais e dos processos de aprendizagem em grupo, baseados no autoconhecimento. O objetivo é permitir uma visualização clara e organizada das relações, de modo a auxiliar o entendimento de uma comunicação interpessoal.

Vamos ver com detalhes como o modelo funciona e de que maneira podemos usá-lo para aprimorar o autoconhecimento e melhorar nossos relacionamentos pessoais e profissionais, de modo a promover o nosso turnaround e alavancar o nosso sucesso.

Eu aberto – É a área que se caracteriza pela livre troca de informações entre o eu e os outros. Em resumo, mostra o que em você é conhecido por você mesmo e pelos outros – nesse setor, você é um livro aberto, consciente do que tem para oferecer.

Eu secreto – Nesse segundo quadrante, estão incluídas as informações e as características pessoais que somente você conhece sobre si mesmo. E só você pode decidir o que irá revelar ou não aos outros.

Eu cego – Essa é a área de nossa vida que desconhecemos, que não temos ideia de que temos. Ela representa comportamentos e posturas que não percebemos em nós mesmos, mas que os outros percebem. É uma parte nossa que mostramos inconscientemente ao mundo.

Eu desconhecido – Esse é o campo do nosso inconsciente, daquilo que desconhecemos sobre nós mesmos e que os outros também desconhecem sobre nós. Nessa área desconhecida, estão presentes nossas memórias da infância, as potencialidades latentes e os aspectos escondidos da nossa dinâmica interpessoal.

Os comportamentos de auto-exposição, de buscar e dar feedbacks, são indispensáveis para a autoanálise usando-se a Janela de Johari. Por meio desse processo, é possível ampliar o autoconhecimento, além de melhorar nossos relacionamentos interpessoais. A janela nos ajuda a compreender melhor os outros e principalmente a nós mesmos.

Sua análise pessoal
Antes de fazer sua análise pessoal usando a Janela de Johari, esteja certo de que compreendeu bem quais são as características mais marcantes de cada um dos quadrantes. E lembre-se sempre de que o gráfico lhe possibilita verificar ao mesmo tempo as informações de duas fontes fundamentais: o seu eu e os outros.

A partir daí, ao fazer sua própria leitura comportamental, observe quais quadrantes se mostram com mais destaque na sua janela. Vale salientar aqui que o quadrante que produz mais relacionamentos saudáveis e produtivos é o do Eu aberto. Na reflexão para melhorar suas chances de fazer uma virada bem-sucedida em sua vida, observe com atenção o que você pode fazer para ampliar cada vez mais essa parte da janela.

Melhorando o autoconhecimento
Agora que você tem as ferramentas para promover o autoconhecimento, quero colocar, de maneira bem objetiva e prática, os procedimentos que recomendo para usá-las com mais eficácia:

A) Reveja os resultados da sua Análise SWOT. Se você ainda não a fez, faça-a agora. Faça um levantamento de todas as características positivas e negativas que você tem.

B) Seja transparente, torne público o maior número possível de características suas no seu ambiente de trabalho e na sua vida pessoal, tomando apenas o cuidado de não prejudicar sua imagem, expondo informações desnecessárias e inadequadas ao contexto.

C) Mantenha um grupo restrito de pessoas no seu trabalho e na sua vida pessoal em que possa confiar para compartilhar um número maior de informações, para possibilitar maior abertura pessoal e assim ter feedbacks mais profundos e dar feedbacks mais precisos.

D) Procure dar abertura às pessoas para falar sobre você, peça feedbacks, procure deixar as pessoas à vontade e com liberdade para falar sobre o que pensam a seu respeito. Assim, você diminuirá a sua área cega, saberá mais o que os outros acham de seu modo de ser e poderá se beneficiar dessas informações, corrigindo eventuais erros.

Ao perguntar mais às pessoas sobre si mesmo, preste bastante atenção nas respostas e não se mostre reativo, nem mesmo com expressões faciais e corporais duras. Sim, porque muitas vezes você pode até falar “tudo bem”, mas seu rosto e seu corpo poderão estar dizendo algo diferente. Quando solicitar feedbacks, esteja realmente aberto a eles, mesmo que sejam negativos.

Não fuja de feedbacks negativos. Ao contrário, busque-os. Isso vai orientá-lo para que melhore mais a cada dia. Muita gente quer ouvir apenas elogios e feedbacks positivos, mas isso é de pouca serventia. Particularmente, já deixo claro que quero ouvir em que posso melhorar, e estimulo com frequência as pessoas a me mostrarem onde estou falhando.

Depois de recebidos os feedbacks e identificados quais comportamentos ou características você precisa melhorar e desenvolver, busque os conhecimentos necessários para promover as mudanças que precisar fazer.

Tenha sempre em mente que, para construir uma imagem positiva, tanto pessoal como profissionalmente, é necessário que possamos perceber a diferença existente entre a imagem que as pessoas têm de nós e a nossa própria percepção pessoal.

EDGAR UEDA é empresário, investidor, escritor e palestrante.

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