EDITORIAL: O presidente, as universidades, os assessores


Alan Santos/PR

Nos governos do Partido dos Trabalhadores houve uma expansão extraordinária do ensino superior no Brasil, quando proliferaram
novos cursos – dezenas deles – além de um crescimento exponencial no número de alunos. Para atender à demanda, houve centenas de construções de prédios, adequação de hospitais universitários, contratação de milhares de professores e servidores, multiplicando o volume de gastos com despesas correntes e de custeio.

Como se não bastassem as universidades federais, houve o upgrade do Instituto Federal pelo Brasil afora, que já conta com quase um milhão de alunos nos seus cursos técnicos e superiores, inclusive competindo, em muitos municípios, com campus das universidades públicas.

Aqui não quero falar, ainda, da multiplicação das universidades e faculdades particulares, regiamente bancadas pelos sobejos cofres da União, através de bilhões de reais em bolsas e financiamentos que enriqueceram centenas de empresários da educação, consumindo mais recursos do que as próprias universidades federais.

Mas quero discutir aqui sobre a explosão de otimismo que grassou pelos ministérios, embalados pelo discurso populista do então presidente da República, que inundava a grande mídia com bilhões de reais em propaganda institucional.

A economia surfava na onda do pré-sal, uma promessa de arrecadação de bilhões de dólares, quando Lula se gabava de ser o Brasil de então um novo membro da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), já que a Petrobras alcançara a autossuficiência na extração do óleo.

Do alto desse castelo de areia, sobrou ufanismo e faltou planejamento. O Brasil permanece importando petróleo, e muito, aproximadamente 206,9 milhões de barris no acumulado do ano de 2017, especialmente o petróleo mais fino.

Além disso, políticas equivocadas de subsídios em troca de governabilidade e da vitória de Dilma Rousseff nas eleições de 2014, além de um mar de lama de corrupção na cúpula de partidos políticos, com destaque para o PT, o PP e o PMDB, tudo isso afundou o país na sua pior crise econômica das últimas décadas, de onde não sairá com facilidade.

As universidades federais vêm sofrendo contingenciamento há pelo menos 12 anos, conforme declarou a ex-secretária-geral do Ministério da Educação dos governos Lula e Dilma, a professora Maria Helena Garcia, ou seja, nesta seara, não há nada de novo.

Como vem se tornando costumeiro, o grande erro recorrente do governo
de Bolsonaro é falar muito e falar mal. Começou com o ex-ministro da educação, um estrangeiro que demonstrou nada conhecer do Brasil, aprendendo que escrever teses é muito diferente de gerir qualquer organização, muito menos um ministério e, menos ainda o mais complexo entre todos.

Vem esse novo ministro, de nome complicado e ataca, falando de farras nos campus ao invés de explicitar as dificuldades de caixa do tesouro e a necessidade de contingenciamento temporário de algumas ações, algo que poderia até passar despercebido, como ocorreu em outros governos, embora parceiros ideológicos da academia.

Bolsonaro acha pouco o estrago e fala da estudantada como massa a serviço de manobreiros, uma verdade amplamente conhecida, mas que não deveria ser falada pelo homem que está na presidência da república, em função da liturgia do cargo que ocupa e da divulgação que é dada a qualquer palavra que sai de sua boca, tanto pela mídia plantonista quanto pelas redes sociais inconsequentes.

Transparece, para decepção de muitos que acreditaram nele, que esse governo abusa do amadorismo, que está atarantado e sem rumo, com deficiência séria de assessoria, e que o presidente ainda não percebeu a importância do cargo que ocupa, elevado pela confiança dos milhões de brasileiros que apostaram em uma mudança para melhor.

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