LI E RECOMENDO: A Capital da Solidão


Autor: Roberto Pompeu de Toledo
Editora: Objetiva

Este livro causa espanto e admiração com a biografia de São Paulo de Piratininga, tanto pela minuciosa pesquisa de quatro anos que o autor realizou nos arquivos e em vasta pesquisa bibliográfica, quanto pela elegância e objetividade do texto, rico em detalhes, mas sem cansar com repetições vazias.

Você, caro leitor ou querida leitora, vai conhecer a história da impressionante cidade de São Paulo, que foi, em princípio, ignorada pelos viajantes e descobridores, já que estava afastada do litoral, mas que, pela ação de religiosos desbravadores, como Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, ao lado de João Ramalho, casado com a índia Bartira, construíram uma povoação no planalto em 1553 e que, nos anos de 1900 possuía um pouco mais de 65 mil habitantes, enquanto o Rio de Janeiro já se aproximava de 1 milhão de almas.

Pompeu de Toledo traça uma das melhores biografias que já li de uma cidade, evocando datas importantes, sítios históricos, o avanço geográfico e as transformações da paisagem urbana expandindo-se em paralelo com o crescimento da população. Descreve o passar de gerações de famílias tradicionais, com seus orgulhosos descendentes cognominados, hoje, de “paulistas quatrocentões”.

Prédios históricos, praças, largos, a chegada das artes, a eclosão da cultura, do cinema, do teatro, a chegada de artistas estrangeiros, missões científicas, episódios curiosos e pitorescos da História do Brasil que não foram mostrados em livros didáticos, tudo isso antes da chegada dos novos romances entremeados de história, ao estilo de Mary Del Priore e outros autores brasileiros e internacionais, principalmente da escola francesa.

Grandes jornalistas, poetas e escritores, uma rica exposição de pinturas e fotografias veiculadas em ordem cronológica, desde a fundação da rústica aldeia de São Vicente, no litoral, até a chegada ao planalto de Piratininga.

As viagens do Rio de Janeiro para São Paulo, em comboios de burros, vencendo a verdadeira muralha da Serra do Mar, particularmente desafiadora em tempos de chuva, aventuras imortalizadas no seriado “A muralha”, exibido pela Rede Globo de televisão.

Até a viagem da independência, proclamada por Dom Pedro às margens do rio Ipiranga, é tratada com detalhes por Toledo, a ponto de afirmar que o imperador viajava em um burro, jamais em um cavalo, como no quadro do pintor Pedro Américo, uma vez que os equinos não suportavam os desafios da serra praticamente escalada através de veredas abertas no ventre da mata virgem.

Os bandeirantes, o apresamento e a escravização dos índios, o romance de Dom Pedro com a Marquesa de Santos… não dá para resumir o encanto de “A capital da solidão”, um belo livro, Li & Recomendo. 

Previous CINFORMANDO: O mau exemplo do Senado
Next Leia nesta edição