EDITORIAL – UFS é referência mundial em pesquisa


Por Edvar Freire Caetano

Contrariando o que falou, precipitadamente, um certo ministro brasileiro, a UFS desenvolve (sim, senhor) reconhecido trabalho de pesquisa em nível de excelência. Uma organização norte-americana, a Clarivat Analytics, vinculada à base Web of Sciences e aos maiores jornais e revistas científicas do mundo, classificou em primeiro lugar, no ranking brasileiro, a mais tradicional escola superior do Estado de Sergipe. A premiação ocorreu no último dia 4, por ocasião do Brazil Excellent Reserarch Awards Clarivate Analytics

A UFS foi classificada como a instituição brasileira com o maior fator de impacto de suas produções na área de saúde do Brasil, destacando-se em primeiro lugar na categoria HEALTH SCIENCES, no período considerado de 2013 – 2018.

Para se ter uma ideia do que isso significa, no cômputo geral, considerando todas as áreas de pesquisa auditadas, “a UFS ficou à frente de universidades como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de outras instituições de ensino, públicas ou privadas, que são referências nacionais e internacionais na produção científica de qualidade”, destaca o professor Lucindo José Quintans Júnior, pró-reitor de pós-graduação da UFS.

É surpreendente esse resultado, considerando-se que os investimentos destinados a pesquisas na UFS sempre foram modestos, mesmo se comparados com os que vão para o vizinho Estado de Alagoas, por exemplo.

O professor atribui como um dos motivos desse sucesso, basicamente, a permanente e consolidada atuação do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde ¬ cujo núcleo é coordenado pelo Dr. Ricardo Queiroz Gurgel ¬ responsável, direta ou indiretamente pelos trabalhos científicos analisados pelaClarivat Analyticse que colocaram a Universidade Federal de Sergipe “na vitrine de qualidade na área da saúde nessas últimas semanas”.

Mesmo com atuação marcante desde o início, esse departamento vem trabalhando em parceria com universidades de todo o mundo, alavancado nos últimos 10 anos com um programa de internacionalização criado pelo Dr. Ricardo Gurgel. A parceria envolve instituições no Reino Unido, França, Turquia, Estados Unidos, Austrália, Índia e outros países de vários continentes.

São 37 pesquisadores de Sergipe e de fora do Estado, que abordam a área de arboviroses (doenças causadas pelos chamados arbovírus, que incluem o vírus da dengue, Zika vírus, febre chikungunya e febre amarela) e se estendem para rotavírus, câncer, doenças negligenciadas, neurociência, química e farmacologia de produtos naturais.

A Universidade recebe apoio de agências de fomento, como a Capes, o CNPq e FINEP, além da sergipana FAPITEC. Entretanto, de acordo com o professor “os recentes cortes anunciados pelo governo federal, especialmente em bolsas, para CAPES, CNPq e FINEP, e o limitado e até mesmo ausente número de editais abertos localmente devem sufocar, em pouquíssimo tempo, a capacidade produtiva de Sergipe, sucateando o que foi construído com muito esforço e dedicação de nossos pesquisadores e da própria UFS, nos retirando o papel de destaque nacional”, desabafa o Doutor Lucindo.

De tudo resta uma indagação: de onde o senhor Onyx Lorenzoni, feito ministro, retirou aquelas confusas informações relacionadas com uma certa universidade nordestina que não desenvolvia qualquer trabalho na área de pesquisa?    

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