ARTIGO: Sergipe, chega de saudade


Hoje, a bossa nova é criar uma ambiência que estimule a inovação tecnológica.

Por Paulo do Eirado Dias Filho (*)

Essa intencional remessa ao mestre da música João Gilberto (1931-2019) é, além de uma homenagem, um chamado aos que amam nosso estado e que hoje enfrentam uma crise econômica sem precedentes. Com certeza já vivemos tempos melhores, todavia, a saudade desacompanhada da coragem não nos levará à superação. Chega de saudade!

Sergipe, menor estado da federação brasileira em área territorial, torna-se um gigante com a simples mudança de modelo mental dos seus filhos. Agraciado pela geografia entre as maiores capitais e regiões metropolitanas do Nordeste, torna-se o melhor ponto logístico da região e um dos melhores do País, como veremos.

O modelo mental ou paradigma citado decorre do fato de que Sergipe, pelas diminutas distâncias físicas, induz o seu habitante a relacionar o território político do estado com a área de atuação mercadológica, implicando em enxergar um mercado composto por pouco mais de dois milhões de habitantes.

Contudo, sabemos que inúmeros moradores de estados vizinhos, cujos municípios estão mais próximos de Aracaju que das suas respectivas capitais, recorrem naturalmente aos nossos serviços públicos, especialmente à Saúde, sobrecarregando as estruturas locais. Ora, isso denota a área de influência da nossa Aracaju sobre estados vizinhos.

Se espontaneamente tais populações estão sob nossa referência geográfica, o inverso também é verdadeiro. Nós devemos vê-los sob nosso alcance mercadológico, inclusive pelas pequenas empresas.

Um compasso e um mapa do Nordeste são o bastante para demonstrar a potência do mercado no nosso entorno. Se traçarmos uma circunferência com raio de 500 Km na escala desse mapa, veremos uma curva limitada ao norte próximo a João Pessoa (PB), ao sul próxima a Ilhéus (BA), abraçando as maiores cidades do interior, a exemplo de Caruaru (PE), Feira de Santana (BA), Petrolina (PE), Juazeiro (BA), Arapiraca (AL), Campina Grande (PB) e inúmeros outros importantes polos regionais, além de quatro capitais vizinhas. Esse círculo encerra o quantitativo de 30 milhões de consumidores. Ou seja, o equivalente a 15 “Sergipes” em distância simplesmente rodoviária.

Esse redimensionamento sergipano ou reterritorialização é uma demonstração das oportunidades que temos, e por vezes desconhecemos. Aqui, portanto, fica o convite ao nosso empreendedor de ousar estratégias para ocupar esse mercado gigante a partir de Aracaju: a melhor posição logística do Nordeste.

Por oportuno, a recente conclusão do asfaltamento da BR 235 entre Carira (SE) e Juazeiro (BA) faz de Aracaju a capital mais próxima da RIDE – Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento – Petrolina/Juazeiro, com estimados 769.544 habitantes (IBGE, 2018). Apenas 460 km de bom asfalto nos separam da maior RIDE do interior do Nordeste, com população superior à da nossa capital.

Facilidade de acesso, menor distância e pouco tráfego nesse roteiro são fatores para ampliar o intercâmbio e ofertar nossas praias, gastronomia, cultura, artes, escolas, universidades, além da nossa amável hospitalidade para esses baianos/pernambucanos que também muito nos oferecem com suas vinícolas, culinária, aliado ao exemplar empreendedorismo rural, industrial e comercial que lá fez uma metamorfose econômica milagrosa em pleno semiárido. É hora de ampliar os laços turísticos, comerciais, científicos, tecnológicos e logísticos, além dos serviços de saúde e educação, com os novos vizinhos por meio desse canal de tráfego.

Reafirmando a genialidade de João Gilberto, filho de Juazeiro (BA) e ex-aluno do Colégio Jackson de Figueiredo em Aracaju, onde estudou por quatro anos, já visionando o eixo Jua-Aju, ora proposto. 

Igualmente, intuímos que o ícone da música mundial inspire nossa Educação para que os jovens se tornem mais criativos, inovadores e realizadores, capazes de aproveitar o momento atual abundante de ferramentas tecnológicas baratas e acessíveis aos que tenham escolaridade, ideias e espírito empreendedor, para também terem muito sucesso.

Hoje, a bossa nova é criar uma ambiência que estimule a inovação tecnológica para levar Sergipe a adentrar numa nova e poderosa economia, como propõe o movimento Inova Mais Sergipe, liderado pela Fecomércio-SE. Ainda no milênio passado, a Economia do Conhecimento já representava a maior parcela do PIB mundial. Atualmente, superior está essa proporção, especialmente se associada à Economia Criativa.

Assim, softwares, patentes, marcas, design, cultura, música, games, dentre outros intangíveis, são produtos derivados de intensivo capital humano, porém disponíveis em plataformas tecnológicas comuns e de fácil acesso. A criatividade associada à escolaridade e ao domínio das ferramentas digitais é o segredo do sucesso nesse nicho econômico, quando focado na solução de um problema comum. Dessa forma, Uber, Waze, Youtube, internet banking, WhatsApp e outros imprescindíveis aplicativos são soluções universais de imediato adotadas pela sociedade. E isso é só o começo.

Vai minha alegria e diz a eles que incentivar o turismo, desburocratizar, fomentar a instalação de pequenos negócios, ofertar acesso às compras governamentais para as microempresas e a inovação tecnológica são as novas carrancas que afastarão a tristeza e a melancolia que tentam, sem sucesso, colar no coração do empresário sergipano, pois há menos peixinhos a nadar no mar do que a coragem do nosso povo de vencer.

 * Diretor Superintendente do Sebrae em Sergipe e pedagogo

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