Brincando com a Terra e os desvios da fé


Edvar Freire Caetano

Vários protocolos de intenções já foram assinados pelos quatro cantos do mundo. Cientistas têm declarado a iminência de um cataclismo, os sinais estão a cada dia mais evidentes, mas a população não se emenda e os governantes dos países não param para refletir, traçar políticas claras e aplicá-las em benefício do nosso planeta, que se debate para absorver os impactos impostos pela corrida tecnológica.

A Terra é uma nave que vaga pelo espaço, aparentemente sem rumo certo e sem um alvo claro a ser atingido, um porto seguro que a abrigue. O seu combustível está se esgotando, sua dispensa já não consegue mitigar a fome das mais de sete bilhões de pessoas espalhadas pela sua superfície.

O judiado planeta, também, já não tem mais onde receber os milhões de toneladas de lixo que a espécie mais civilizada do universo produz a cada ano, ou seja, a sua capacidade natural de reciclagem não consegue mais competir com a “competência” tecnológica desenvolvida pelo homem, que devasta as florestas, os rios, os mares, compromete as geleiras, os oceanos, a própria atmosfera, e põe em cheque a própria sobrevivência do ecossistema somo o conhecemos, aí incluída a própria vida desses seres de inteligência rara, os poderosos Homo sapiens.

Algumas organizações pregam a salvação da alma humana, numa confusão de correntes doutrinárias que formam uma verdadeira miscelânea, uma delirante colcha de retalhos que se esconde sob nome de religiões. Desafortunadamente, não há uma sequer que se preocupe, de fato, com a preservação do planeta, até porque todas esperam um porvir na eternidade celestial, na imaginada Terra Prometida.

Além dos políticos, dos chefes de estado, particularmente desses plenipotenciários de regimes fechados, as religiões deveriam formalizar um acordo de defender a preservação da Terra. Senhores religiosos do Cristianismo, do Judaísmo, do Islamismo, a Bíblia diz que “Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” — Salmo 37:29.

Não sou pastor, mas asseguro que o salmista se refere ao nosso planeta, mesmo. Que dizer disso? “Quanto aos céus, os céus pertencem a Jeová, mas a terra ele deu aos filhos dos homens.” — Salmo 115:16. Ainda há dúvidas? Reflitam então sobre esta: “Ele fundou a terra sobre os seus lugares estabelecidos; não será abalada, por tempo indefinido ou para todo o sempre.” — Salmo 104:5. Mais duas dicas para os padres, pastores, rabinos e imãs … “A terra permanece por tempo indefinido.” (Eclesiastes 1:4) Além disso, ela será sempre habitada: “Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” — Salmo 37:29.

Diante das evidências bíblicas exaradas no Velho Testamento, base dessas religiões, considero que todos estão brincando, competindo, trocando ofensas como se a Terra fosse uma bola de futebol, que cada um chuta ao seu bel prazer e despreocupado com a sua capacidade de resistir ao livre arbítrio de tantos idiotas.

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