Mais um show das universidades públicas


EDITORIAL

Em 2019, houve expressivos abalos de confiança quando se falou, de forma ultrajante, do ensino público universitário no Brasil, ocasião em que universidades federais foram mal avaliadas por analistas confusos, mancomunados com encantados ocupantes do primeiríssimo escalão do recém-assumido governo federal.

Inclusive, informações passadas por ciúme, por despeito, ou por mau-caratismo mesmo, levaram a Universidade Federal de Sergipe a ser citada como mau exemplo, falácia que foi vergonhosamente desmentida poucos dias depois, quando a UFS ostentou um primeiro lugar no Brasil em determinada área de pesquisa.

Na plenitude desses dias ainda conturbados, surge o inatacável ranking divulgado pela consultoria de educação dos Emirados Árabes Unidos – Centro para Rankings Mundiais de Universidades (CWUR, sigla em inglês) ¬ e coloca nos 15 primeiros lugares no Brasil, exatamente, 15 universidades públicas (federais, estaduais e municipais), sendo que a Universidade de São Paulo (USP) cravou o primeiro lugar, secundada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Claro que ainda estamos distantes das grandes universidades do mundo, pois aqui faltam recursos financeiros e decisões políticas para priorizar o ensino e a pesquisa. Por aqui, prefere-se gastar muitos bilhões (não se sabe ao certo quantos) com estádios de futebol e com obras faraônicas que estão paralisadas, aos milhares, por este imenso Brasil.

Destacam-se nos cinco primeiros lugares, mais ou menos aquelas que o ambiente acadêmico já esperava: 1º) A Universidade de Harvard, 2º) O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, 3º) A Universidade de Stanford, 4ª) A Universidade de Cambridge e 5º) A Universidade de Oxford. Saudosista, eu esperava a Universidade Paris-Sorbonne entre as cinco.

Atingir, ainda que fosse a periferia desses conglomerados é um sonho quase impossível para as universidades brasileiras, que sofrem com dificuldades básicas como, por exemplo, saber com o que vai contar no orçamento seguinte, e mesmo com o que pode investir com base no orçamento atual, já que, mesmo contabilizados no orçamentário, recursos podem ser bloqueados, ou alterados, ou até mesmo reforçados por suplementação originada de outros órgãos e entidades públicos.

Voltando ao ranking. Não é deprimente saber que a primeira colocada do Brasil (USP) é a 77ª do mundo, pois é preciso considerar uma competição em que foram avaliadas duas mil universidades.

Então, a conquista das universidades públicas do Brasil seria digna de honrarias, mas isso no caso de o país e a sua grande mídia preocuparem-se, de verdade, com a qualidade do ensino superior das suas novas e velhas gerações.

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